quarta-feira, 2 de junho de 2010

NADA BORBOLETA MAS NÃO TREINA BORBOLETA? É POSSÍVEL?

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Parece até estranho, mas não é.
E mais é algo bastante comum em vários nadadores de nível nacional e até internacional.

A técnica de borboleta é complexa e principalmente requer uma demanda energética muito alta. Minimizar as distâncias de borboleta, ou pelo menos maximizar a qualidade do nado é algo bastante comum nos treinamentos que visam desenvolver o nadador de borboleta.

Ainda acrescidos os problemas de ombro, muitos atletas não conseguem render e nem suportar séries de borboleta durante o treinamento mas quando chegam na competição rendem sem problema.

Saber balancear a distância das séries e o volume total de borboleta é uma arte do técnico mas também um dado muito importante a ser discutido entre o atleta e seu treinador.

Limitações físicas, fisiológicas e técnicas são determinantes para se encontrar uma medida ideal da distância do nado a ser praticada.

Ainda existem as chamadas exceções de atletas que conseguem realizar grandes distâncias em nado borboleta mantendo um bom padrão.

Entre os casos mais famosos está o da americana Mary T. Meagher, que foi recordista mundial dos 100 e 200 borboleta em recordes que ficaram quase 20 anos sem serem batidos.

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Mary Meagher chegava a fazer séries de 4.000 metros nadando borboleta, muitas vezes ininterruptamente.

Mais recentemente, a atual recordista mundial dos 100 borboleta, Inge de Bruin, chegou a fazer uma série de 10 x 400 de borboleta sob o comando do técnico Paul Bergen.

Obs: Ela nunca nadou os 200 borboleta a nível internacional.

Duas vezes olímpico e um nome forte do México para os Jogos Pan Americanos deste ano, Juan Veloz também é outro que mantém um padrão muito bom de técnico mesmo em séries longas de borboleta.

Na época em que treinava no Mission Viejo Nadadores na Califórnia, Juan Veloz fez uma série de 100 x 100 de borboleta em piscina longa a cada 1:30. A média foi de 1:09, o pior foi 1:12 e o melhor foi o último 1:06!

Isto tudo, até agora, não passa de exceção.

Na verdade, a grande maioria dos atletas de nível internacional não conseguem manter por grandes distâncias a técnica correta e seus técnicos maximizam a execução perfeita limitando as séries de borboleta.

É o caso de Ian Crocker, atual recordista mundial dos 100 borboleta, que faz praticamente 90% do seu treino de crawl e quando nada borboleta nada em pequenas distâncias.

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Até mesmo Michael Phelps, seu maior adversário também não "abusa" do borboleta.

Phelps que é recordista mundial dos 200 borboleta nem gosta de treinar muito o nado.
Bob Bowman, seu técnico, prefere treinar borboleta em piscina de 25 jardas, onde Michael Phelps mantém melhor padrão de nado segurando a técnica por mais tempo.

Natalie Coughlin está entre as melhores americanas na prova dos 100 borboleta e hoje praticamente não faz qualquer série no nado.

Ela, que chegou a universidade como nadadora de 200 borboleta, hoje, faz apenas tiros curtos e de velocidade utilizando o borboleta.

Entre os nadadores brasileiros isto também é bastante comum.

Kaio Márcio Almeida quando era um nadador em formação nas categorias juvenil e júnior praticava muito do seu treinamento em fundo e medley.
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A orientação era da técnica Rosane Carneiro que está de volta agora a trabalhar com o Kaio que sente uma lesão de ombro e que teve de ser forçado a minimizar o seu trabalho no estilo.
Kaio hoje nada apenas 15% do treino em borboleta, e destes 15% grande parte é com o pé de pato.

Thiago Pereira, talvez o mais versátil nadador brasileiro de todos os tempos, também tem uma marca expressiva nos 100 borboleta.

Ele também não responde bem ao treinamento de borboleta em execesso.

Quando esteve nos Estados Unidos, foi uma grande dificuldade que passou pois não está acostumado a fazer grandes distâncias nadando borboleta.

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Na Universidade da Flórida, onde Thiago treinou por alguns meses teve de realizar os chamados "Flyday" numa substituição ao "Friday" que é onde o treinamento de base é feito todo de borboleta nas sextas-feiras.

Muitas vezes um mesmo técnico coloca seus nadadores de borboleta para fazerem trabalhos distintos.

É o que acontece, por exemplo, com os dois atuais campeões mundiais dos 200 borboleta, Otylia Jedrejzack e Pawel Kozerniowski ambos poloneses e que treinam com o mesmo técnico. Otylia faz grande parte do seu treino em borboleta, inclusive séries nadando borboleta com palmar.

Enquanto isso, Pawel faz seu treino praticamente todo de crawl voltado para o fundo.

Esta distinção e a capacidade de identificar qual nadador se adapta e quanto de distância ele se adapta faz parte do trabalho do treinador. O objetivo é sempre priorizar a boa técnica de nado e maximizar a qualidade do trabalho.

Não precisa nem falar dos nadadores de 50 borboleta, casos de Roland Schoeman, recordista mundial, ou Fernando Scherer, recordista sul-americano.

Estes nadadores nem borboleta fazem, e se fizerem somente séries curtíssimas de explosão.

Treinadores devem ser bastante cuidadosos na prescrição de trabalhos muito longos de borboleta.

Não faz sentido manter seu atleta executando uma metragem muito grande sem qualquer qualidade ou eficiência.

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Muitas vezes, séries em demasia do nado borboleta podem ser causadoras de lesões irreparáveis para a carreira do nadador.

Identificar os problemas antes que se tornem graves, é função do treinador.

Um exemplo é a recordista sul-americana dos 100 borboleta, Gabriella Silva que luta há anos contra uma lesão de ombro e sempre teve de balancear o trabalho e minimizar a distância de borboleta afim de não complicar sua lesão.

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Mesmo assim, Gabriella continua a baixar suas marcas e mantém a condição de recordista sula-americana dos 100 borboleta.

Você não precisa eliminar o treinamento de borboleta do seu programa, pelo contrário, apenas discuta a validade da super distância do nado borboleta principalmente quando não executada em uma técnica apropriada.

A real conclusão : É mais importante do que a distância a ser executada, é a técnica adequada e a intensidade desejada.

TÉCNICAS PARA A EXECUÇÃO DO NADO PERFEITO

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Para evitar o supertreinamento e a superdistância do nado borboleta, algumas dicas para maximizar a técnica do nado sem a necessidade do stress do estilo no treinamento:

  • Nadar borboleta sempre em boa técnica.
  • Optar pelas distâncias menores 25 e 50 metros. Em caso de controle da técnica perfeita, isso pode ir sendo incrementado.
  • Fazer séries de borboleta + crawl incentivando o nadador a manter a técnica perfeita no nado borboleta. Ou seja, tiros de 100 nadando borboleta até quando sentir que está perdendo a correta forma de nadar. Isto pode ser por 5 metros ou coisa parecida e ser incrementado com o treinamento e a prática correta.
  • Nadar borboleta com pé de pato para melhorar a técnica e diminuir a sobrecarga.
  • Nadar borboleta com uma braçada e três pernadas, nado que é mais fácil de ser controlado por distâncias maiores.
  • Executar educativos de nado borboleta diariamente para a fixação de uma técnica correta.
  • Aumento do trabalho de pernada e pernada submersa para a melhora do nado.

Para séries de ritmo de competição, muitas vezes o nadador fica exausto se nadar muito borboleta no aquecimento.

Ioan Gherguel nadador da Romênia e que duas vezes foi campeão dos 200 borboleta do NCAA executa uma série de 4 x 50 para ritmo com 15 a 20 segundos de intervalo, sendo que ele alterna um para borboleta e outro para crawl mantendo o mesmo esforço.

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Detalhe:Nadadores que conseguem manter a técnica de borboleta por grandes distâncias sem qualquer prejuízo a forma de nadar e conseguindo boa qualidade no trabalho podem realizar distâncias e até superdistâncias no estilo. Sendo que isso é exceção e não regra.

Técnica do Borboleta

Considerado um estilo de grande dificuldade, o nadador de Borboleta deve ter força para empurrar água e flexibilidade pra tirar os braços para fora da piscina na hora de partir para outra golfinhada.

Posição do corpo

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- Em decúbito ventral, mais plano possível para evitar atritos.
- Cabeça: posicionada em uma atitude "normal" com a linha da superfície da água. Existe um movimento de flexão e extensão.
- Quadril: sofre um movimento ondulatório , que é resultante do trabalho das pernas e movimento de cabeça.
- Pernas: os movimentos são simultâneos e representam forte ação propulsora. As pernas não batem, elas movimentam-se em decorrência da ondulação do corpo.
- Braços: 9 fases (em forma de R).

Entrada

Uma visão lateral do nadador deve mostrar seus braços "mergulhando" simultaneamente na água em um ângulo pequeno; os braços simultâneos ficam estendidos, na largura dos ombros; palma das mãos um pouco voltadas para fora;término desta fase com braços em extensão.

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Deslizamento

Braços na largura dos ombros para iniciantes e quando se nada mais calmo, esta fase é mais acentuada.

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Apoio ou Pegada

O movimento deve ocorrer de forma suave e rápida, evitando a tendência de "espirrar" água; o movimento das mãos é feito para fora da linha média (abdução) e um pouco para baixo; ligeira flexão do punho; inicia-se a flexão do antebraço sobre o braço; rotação medial de braços com elevação do cotovelo.

Tração ou Puxada

Movimento de braços para fora e para baixo; movimento das mãos para a linha média; palmas das mãos ligeiramente voltadas para dentro; aumento da flexão do antebraço sobre o braço.

Dominação

Mãos mais próximas da linha mediana;braços e antebraços foram um ângulo de 90 graus;fase de melhor posicionamento das alavancas; continua a adução dos braços;movimento das mãos para fora (abdução) e para tras.

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Empurrão ou Impulso

Braços em adução (colados lateralmente ao corpo), com os cotovelos elevados;palmas das mãos voltadas para traz; movimento das mãos para traz e um pouco para fora.

Finalização

Mãos no prolongamento dos braços; inicia-se aqui a elevação de mãos.

Recuperação ou Descanso

Cotovelos fletidos e elevados; mãos passam bem próximo do quadril do nadador;elevação dos braços pela lateral; braços estendidos e descontraídos; a completa extensão dos cotovelos no fim da fase de impulsão deve ser evitada;os cotovelos devem sair da água antes das mãos.

Ataque

Braços vão lateralmente para frente;flexão dos antebraços sobre os braços após a linha dos ombros; Palma das mãos voltadas para fora;

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Pernas

Movimentos simultâneos; existe maior eficiência na fase descendente;grande participação na propulsão do nada; na fase ascendente, sobe estendida e flexiona-se no final; desce estendida.

Respiração

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É realizada ao nível da água sem oscilações exageradas;inspiração pela boca e pelo nariz de forma explosiva (rápida e intensa);bloqueio se faz mais acentuado quando se nada devagar;expiração feita pela boca e nariz.

Coordenação

- Braços e pernas: Duas pernadas por ciclo de braços (estilo típico de competição) Uma pernada quando os braços entram na água e a outra quando a mão está na altura da cintura.As pernas se movem no sentido contrário do quadril: quando elas sobem, ele desce e vice-versa.

- Primeira pernada : término da entrada e início do apoio

- Segunda pernada: término da finalização e início da recuperação

- Braços e respiração: O nadador, pode respirar a cada ciclo de braços ou a cada duas braçadas ; a inspiração é feita no final do empurrão ou impulso e início da recuperação;termina na recuperação; o bloqueio é feito no início do ataque até o início do apoio; a expiração é feita no princípio do apoio até o final do empurrão.

Saídas

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O primeiro tipo de saída era balanceado . Jogavam-se os braços para frente e pra traz.

A primeira saída com bases científicas foi a "Clássica", em seguida a "Graab"ou "agarre". E mais adiante, a saída "scoop", que é de alto nível. No salto , se carpa o corpo, entrando de ponta.

Na parte submersa, eleva-se a cabeça e a força vertical se transforma em horizontal. Portanto, o nadador não vai ao fundo da piscina. Atualmente, é usada a saída "graab"associada ao "scoop". É a que dá melhor resultado.

Virada

Tocam-se as duas mãos na borda acima ou abaixo do nível da água; o toque deve ser simultâneo e simétrico; larga-se uma das mãos e a outra é abaixada em seguida lança-se o braço por cima, dando a impulsão na parede de preferência com os dois pés.

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Dicas de Aprendizagem :

O movimento de pernas flui naturalmente quando são dadas corretamente as primeiras braçadas.

Para facilitar o aprendizado o professor deve conduzir os braços dos alunos,acompanhando os contornos traçados na parede (fazer com giz ou outro material).

O aluno então acompanha várias vezes o movimento desenhado até assimilá-lo.

Em seguida , o professor repete o processo no chão, deixando o aluno no plano horizontal e por fim o aluno repete tudo na água.

Após os exercícios de respiração frontal, o aluno está preparado para a primeira golfinhada.

Mas para dar a segunda , precisa aprender a se deslocar.

O professor pede para que dê uma série de saltos à frente, deslizando na água.

Nas primeiras tentativas da segunda golfinhada, o aluno não precisa tirar os braços da água e nem se preocupar com a respiração.

Depois que estiver fazendo todos os movimentos bem, ele pode associar o movimento completo com a respiração e tudo mais. É como se fosse uma coreografia que se ensina passo a passo depois une todas as partes.

Borboleta é um Nado bastante explosivo, com coerência ele pode tornar seu treino mais divertido.

Bons Treinos!!!



2 comentários:

Sandrão disse...

Muito bom este artigo! Eu sinceramente acreditava que os nadadores profissionais nadassem grandes distâncias de borboleta, mas pelo visto quem faz isto é exceção mesmo...
Abraços,
Sandro

Mr. Nathan ! disse...

Muuuuiito bom esse blog ! quando entrei na nataçao logo procurei informações aqui,graças a este melhorei consequentemente bem ! e em 3 meses,e eu não sabia nadar nem um pouco,nestes 3 meses,com ajuda dos professores,mas principalmente lendo aqui,aprendi os 4 estilos,agora estou aperfeiçoando-os ! Continuem com este belo trabalho ^^