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quinta-feira, 12 de maio de 2016

As Meninas Super Poderosas do Brasil

 Não sei se teremos medalha já nesta edição, muito difícil, mas ver os resultados , nadadoras como  Etiene Medeiros  e outras nos trás esperança.
 Até pouco tempo atrás não se disputava vaga de nenhuma prova, 
Algumas poucas faziam índices sozinhas, sem disputa real (mesmo que muitas fizessem, só os 2 primeiros tempos classificam). 
Ainda temos muitas provas femininas sem representantes e pouca disputa. A valorização das individualidades das meninas (ao invés de enquadra-las nos padrões masculinos) como conhecimento complementar para os treinamentos esta ajudando a evoluir o esporte, mesmo que não tão rápido como gostaríamos.
 Antes quanto mais a menina se aproximasse da técnica, personalidade e tudo mais masculino, era visto como positivo. 
Isso Mudou, os técnicos que tiveram uma visão mais detalhista,e valorizaram as particularidades femininas, obtiveram melhores resultados com suas atletas.
Nossas atletas de 2016
Alguns  tempos da natação feminina brasileira estarão disputando finais:
.Revezamentos já classificados, 4 por 100 livre e 4 por 200 livre. 
Finais não são  comuns para as mulheres na natação, temos somente 4 nomes em finais individuais:
Piedade Coutinho –única com duas individuais- em 1936 (5ª nos 400m livre) e 1948 (6ª nos 400m livre)

 Joanna Maranhão em 2004 (5ª nos 400 medley)
Flávia Delaroli –  em 2004 (8ª nos 50m livre) 


Gabriela Silva em 2008 (7ª nos 100m borboleta).

Dois revezamentos alcançaram finais também, o 4x100m livre de 1948 (6º lugar com Piedade Coutinho, Eleonora Schmidt, Maria da Costa e Talita Rodrigues)

 4x200m de 2004 (7º com Joanna Maranhão, Monique Ferreira, Paula Baracho e Mariana Brochado).

Etiene Medeiros e Graciele Herrmann conquistaram vaga e representarão nossa seleção nos 50m livre. (50m livre é uma das provas mais disputadas em termos de quantidade de atletas nadando para tempos expressivos)
Nos 100 metros costas em que a Etiene estará também brigando por uma final. Ela persegue  mais um título inédito em sua carreira (ela foi 1º ouro feminino em campeonatos Pan Americanos, nos 100m costas; 1ª medalha feminina –ainda por cima de ouro- em campeonatos Mundiais de piscina curta, no 50m costas; e 1ª medalha, também inédita para as mulheres, em Mundiais de piscina longa, prata na prova dos 50m costas). Infelizmente o 50 costas não acontece em olimpíadas – nenhum 50m, só o livre. 
 Ela teria que baixar uns 40 centesimos nos 50m livre ou uns 60 centesimos nos 100m costas para disputar uma medalha (que também seria inédita para a natação feminina). Eu achava que nos 100m costas seria um caminho mais fácil (por ter mais distância, tem mais o que melhorar e corrigir). Porém, sua habilidade como velocista  fala mais alto, a ponto de investir em outro estilo (o crawl / livre).
A Super Joanna Maranhão 
Está indo para sua 4ª Olimpíada. São 16 anos nadando em alto nível. Se considerar à partir da primeira, são 13 anos, mas normalmente ninguém começa a nadar no ano em que se classifica para o maior evento esportivo do mundo.Tudo começa vários anos antes… Ela já igualou o melhor resultado individual de uma mulher em Olímpiadas, 5º.

Coleciona recordes nacionais e sulamericanos . Essa qualidade lhe permite escolher entre varias provas as que irá participar nos Jogos, isso não é pra qualquer um. Precisa melhorar suas marcas se quiser (e ela quer) entrar em outra final. Igualaria Piedade Coutinho com 2 finais individuais, quem sabe até final do revezamento. Mas o conjunto da obra faz da sua participação a coroação de uma carreira de sucesso, com altos e baixos que a levaram a muita maturidade e crescimento, dentro e fora das piscinas. Ela com certeza tem muito a passar a todas as companheiras de equipe.

Larissa Oliveira
Nos 100m e 200m livre, tempos que são necessários para sermos mais competitivos a nível mundial. Os revezamentos também agradecem. E o bom é que ela não é a única isolada, temos um grupo de meninas chegando a tempos significativos. Nos 100m livre a Etiene também estará nadando.


 Além de Larissa e Etiene, o revezamento 4x100m livre será completo por Manuela Lyrio e Daynara de Paula e tem hoje uma real possibilidade de disputar uma vaga entre as melhores 8 equipes.
 Jessica Cavalheiro e Gabrielle Roncatto, que completam o revezamento  4x200m livre. 
Daiene Dias e Daynara de Paula estão na prova de 100m borboleta mas precisam de tempos mais fortes para pensarem em finais. 
 Revezamentos se classificaram no mundial do ano passado ficando até o 12º lugar. 16 participam dos Jogos. As últimas 4 vagas ficam com os top 4 do mundo.
Em Agosto veremos nossas Meninas Super Poderosas em Ação.

Que venham os jogos!!!


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Austrália pede que Brasil não leve para Rio 2016 técnico de natação acusado de abuso

Divulgação

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Image captionJulgamento de Volkers terminou por falta de provas suficientes
A principal autoridade esportiva da Austrália pediu oficialmente ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que impeça a participação do técnico de natação Scott Volkers nos Jogos Olímpicos do Rio.
Volkers, que treina alguns dos principais nadadores da equipe brasileira, incluindo o vice-campeão olímpico dos 400m medley, Thiago Pereira, foi impedido de trabalhar com crianças e adolescentes na Austrália depois de, no início da década passada, ter sido acusado de abuso sexual por três nadadoras, em episódios que teriam ocorrido durante os anos 1980.
Volkers, que chegou a trabalhar com Cesar Cielo, o nome mais conhecido da natação brasileira, nega as acusações.
A BBC Brasil tentou contato com ele por intermédio de seu clube, mas não teve retorno.

'Voto de confiança'

O treinador já foi levado à Justiça na Austrália, mas um tribunal determinou que não havia provas suficientes para julgá-lo. No entanto, ele viu as portas para seu trabalho se fecharem no país.
Na carta enviada ao presidente do COB e do Comitê Organizador da Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, o mandatário da principal entidade esportiva da Austrália, John Coates, vai além de pedir que o treinador seja impedido de participar da Olimpíada e recomenda que ele seja banido de trabalhar.
Coates incluiu na carta a cópia de um inquérito em que uma comissão do governo australiano demonstrou preocupação com as alegações e criticou a decisão da Justiça australiana.
Reprodução
Image captionCarta enviada a Nuzman pede exclusão olímpica de Volkers
"Nós acreditamos que ele (Volkers) não deveria estar envolvido de maneira alguma com a Rio 2016", diz o dirigente australiano na carta.
Volkers vive no Brasil desde 2011, trabalhando no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, e na seleção brasileira.
Por ter diversos atletas classificados para a Rio 2016, ele é elegível para uma vaga como treinador olímpico, de acordo com os estatutos da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
Mas a BBC Brasil apurou que a presença do australiano na delegação olímpica brasileira está ameaçada por conta da polêmica.
Em Belo Horizonte, o australiano trabalha com nadadores de todas as idades. O Minas Tênis disse "ter feito ampla pesquisa e entrevista" sobre Volkers e que também se reuniu com pais de nadadores para discutir a contratação. Segundo o clube, o treinador "recebeu um voto de confiança" dos pais.
Em uma entrevista ao jornal australiano Daily Telegraph, Coates menciona o fato de o técnico não ter sido condenado pela Justiça, mas diz ter conversado sobre o assunto com Nuzman quando os dois se encontraram em Lausanne, na Suíça, durante a cerimônia de passagem da tocha olímpica pela sede do Comitê Olímpico Internacional (COI).
DivulgaçãoImage copyrightDIVULGACAO
Image captionNo comando da natação do Minas Tênis, Volkers trabalha com crianças e adolescentes
"Nuzman entendeu a seriedade deste assunto. Eu não posso forçar a exclusão dele (Volkers), mas tinha a obrigação de chamar a atenção dos brasileiros", disse o australiano.
Em 2014, Volkers, que treinou algumas das mais bem-sucedidas nadadoras australianas, deu uma entrevista ao jornal australiano The Courier Mail, em que disse "ser uma pessoal normal".
"Não sou um fugitivo. Visito a Austrália todos os anos", declarou.
Naquele mesmo ano, porém, ele foi impedido pelas autoridades do país de participar de um torneio internacional de natação, em Gold Coast, quando teve negado pedido de credenciamento. A CBDA optou por substituí-lo na delegação.
Procurado pela BBC Brasil, o COB, por intermédio de sua assessoria de imprensa, disse que o pedido da entidade australiana ainda não foi analisado. O Minas Tênis não respondeu aos pedidos de entrevista com o Volkers.

O Minas Tênis classificou como “assunto requentado” o pedido das autoridades olímpicas australianas para que o técnico de natação do clube, Scott Volkers, não seja convocado para trabalhar pelo Brasil nas Olimpíadas de 2016. 
A solicitação foi feita ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), pelas denúncias de que o treinador, nascido na Austrália, teria abusado sexualmente de três nadadoras na década de 1980 no país.
 Volkers está no Minas desde janeiro de 2012 e hoje trabalha com atletas como Thiago Pereira.
A assessoria do Minas Tênis disse ainda que o comportamento do técnico no clube sempre foi exemplar, e que não há motivos para falar sobre possível atuação do técnico pelo Brasil na Olimpíada, já que ainda não houve convocação para os Jogos. Pelos critérios definidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), entretanto, ele será um dos treinadores.
Quando chegou ao Minas, Volkers afirmou que seu objetivo no país era ajudar o Minas e o Brasil nos jogos de 2016. O treinador foi o líder da equipe de natação da Austrália em 1992 (Barcelona), 1996 (Atlanta) e 2000 (Sydney).
O treinador chegou a ser levado aos tribunais na Austrália na década passada, mas não houve condenação, por falta de provas. O técnico, no entanto, foi proibido de trabalhar com crianças e adolescentes no país.
No pedido feito pelo comitê olímpico australiano e revelado pela BBC Brasil, as autoridades sugerem ainda que o treinador seja banido do trabalho que desempenha atualmente. Segundo a assessoria do Minas Tênis, Volkers não conversaria com a reportagem  por não ter o que falar sobre o assunto.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Piscina x mar: qual a técnica do nado?

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Educativos para treinar sua direção

Para melhorar o nado em águas abertas é preciso apostar em exercícios educativos de visualização


Saiba como incluir os exercícios de visualização para melhorar o rendimento do nado em águas abertas
Para nadar em águas a orientação é primordial para fazer uma prova com segurança e com bom desempenho.
Por isso, é preciso fazer exercícios educativos de visualização, que ajudam a manter a direção correta dentro da água.
São seis os principais exercícios educativos de visualização.
Colocando-os na sua rotina de treinos, ao menos duas vezes na semana, você já terá um belo ganho de rendimento na natação em águas abertas.
1. Nado Polo
Nade com a cabeça fora da água, sempre olhando para frente e com respiração frontal.
Dica: não levante muito o pescoço, mas mantenha o rosto fora da água.

2. Frequência de braçadas
Mantenha uma sequência contínua.
Ela é fundamental para conseguir levantar a cabeça e se localizar com as bóias de sinalização.
Cada atleta tem seu próprio ciclo de braçada, por isso, o importante é trabalhar a braçada para manter o ritmo na água.

3. Nado conduzindo bola
Nade com uma bola de borracha, de tamanho médio a pequeno à sua frente, empurrando a bola com uma das mãos de cada vez.
Isso faz com que você sempre procure um ponto de referência fora da água, neste caso, a bola, o que permite que você se acostume a marcar pontos de referência quando está nadando.
4. Nado com marcação
Para este exercício, você pode colocar uma marcação no meio e no final da raia da piscina e observá-la durante o nado.
 Isso também ajuda a treinar a visualização na água.
5. Treino sem raia
Entre na piscina sem colocar as raias.
Isso ajuda na sua aprendizagem de nado em linha reta, marcando um ponto de referência.
6. Treino no mar
As características de mar e piscina são totalmente diferentes.
Portanto, treinar em mar aberto para se vivenciar a prova é de grande valia.

A IMPORTÂNCIA DO PERÍODO DE BASE NA NATAÇÃO



Primeiro :O que é PERÍODO DE BASE ? 
Toda periodização de treinamento parte  do princípio do seus objetivos.
Quais provas você pretende participar, as datas envolvidas e a estratégia para atingir seus objetivos.
Os treinamentos de base devem der realizados em momentos adequados. 
Normalmente na fase em que existem pouquíssimas competições ou pausa das mesmas. 
Por este motivo, este mês é o escolhido para retomar a preparação. 

Nesse momento ocorre o reinício, reestruturação e correção, preparando assim a "temporada" física e psicologicamente. 
É um período de preparação para o treinamento específico.
O que acontece é que na natação a quilometragem acaba sendo maior do que os treinamentos específicos devido as várias séries corretivas dos estilos praticados (crawl, peito, costas e borboleta). 
 Conteúdo:
  1. baixa intensidade
  2.  trabalho cardio-respiratório
  3.  corretivos
  4. testes


. Velocidade e força não são trabalhados neste momento.
O período de base sempre têm um início, meio e fim. 
O treino de base é um treinamento geralmente feito em inicio de temporada após o período de transição ( férias) e esse tipo de treino tem duração de 6 a 8 semanas e damos ênfase para trabalhos de fortalecimento muscular e volume.
 A intensidade é descartada nesse período.
O objetivo é que o atleta finalize esse ciclo com um condicionamento físico ideal para os treinamentos específicos que terá pela frente além algumas correções técnicas realizadas. 
Importante lembrar aqui que o condicionamento físico sempre vai variar, de acordo com o objetivo do atleta.
O condicionamento de um atleta de longa distancia é totalmente diferente de um atleta de curta distancia. 
Assim como na construção de um prédio, sem uma bom alicerce, a obra provavelmente terá problemas. No esporte, sem uma boa base, o risco de lesões também aumentará.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Natação ParaOlímpica e a História

A natação está presente no programa oficial de competições desde a primeira Paraolimpíada, em Roma (1960). 
Homens e mulheres sempre estiveram nas piscinas em busca de medalhas. 
O Brasil começou a brilhar em Stoke Mandeville (1984), quando conquistou um ouro, cinco pratas e um bronze. 
Nos Jogos Paraolímpicos de Seul (1988) e nos de Atlanta (1996), os atletas trouxeram um ouro, uma prata e sete bronzes. 
Em Barcelona (1992), a natação ganhou três bronzes.
Os Jogos de Sydney foram marcados pelo excelente desempenho da natação, que trouxe um ouro, seis pratas e quatro bronzes para o Brasil. 
Em Atenas, foram sete medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze. 
Em Pequim o Brasil bateu o recorde de medalhas conquistadas em uma única edição dos Jogos Paraolímpicos com um total de 19 medalhas ao todo, com oito medalhas de ouro, sete de prata e quatro de bronze. 
No Parapan do Rio de Janeiro (2007) o Brasil ficou em segundo lugar geral da modalidade, perdendo para o Canadá, mas ficando na frente dos Estados Unidos. 
Foram 39 medalhas de ouro, 30 de prata e 29 de bronze. 
Além da quebra do recorde, 
o Brasil também comemorou as primeiras medalhas femininas na natação paraolímpica, todas de bronze: 
Fabiana Sugimori nos 50 m livre S11, 

Edênia Garcia nos 50 m livre S4 

Verônica Almeida nos 50 m borboleta S7.

O Brasil possui mais medalhistas de destaque internacional na natação. 
Clodoaldo Silva conquistou nas Paraolimpíadas de Atenas em 2004, seis medalhas de ouro e uma de prata, além de quatro recordes mundiais. 
Em Pequim 2008, os destaques foram André Brasil com 5 medalhas sendo 4 de ouro e Daniel Dias com 9 medalhas, sendo 4 de ouro, 4 de prata e uma de bronze.
Na natação, competem atletas com diversos tipos de deficiência (física e visual) em provas como dos 50m aos 400m no estilo livre, dos 50m aos 100m nos estilos peito, costas e borboleta. 
O medley é disputado em provas de 150m e 200m. 
As provas são divididas na categoria masculino e feminino, seguindo as regras do IPC Swimming, órgão responsável pela natação no Comitê Paraolímpico Internacional.
As adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. 
Os nadadores cegos recebem um aviso do tapper, por meio de um bastão com ponta de espuma quando estão se aproximando das bordas.
 A largada também pode ser feita na água, no caso de atletas de classes mais baixas, que não conseguem sair do bloco. 
As baterias são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência. No Brasil, a modalidade é administrada pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro.
Classificação
O atleta é submetido à equipe de classificação, que procederá a análise de resíduos musculares por meio de testes de força muscular; 
mobilidade articular e testes motores (realizados dentro da água). 
Vale a regra de que quanto maior a deficiência, menor o número da classe. 
As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).
  • S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físico-motoras.
  • S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual (a classificação neste caso é a mesma do judô e futebol de cinco).
  • S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência mental.

Após perder visão em guerra, nadador americano espera 3 ouros na Rio-2016

O norte-americano Brad Snyder perdeu a visão enquanto lutava por seu país no Afeganistão, em 2011, ao pisar em uma mina perto da cidade de Kandahar. 
Encontrou refúgio na natação, que foi seu esporte ainda criança, e, um ano depois do acidente, se tornou bicampeão paraolímpico nos Jogos de Londres. 
Um dos destaques da próxima Paraolimpíada, ele diz estar ainda melhor e espera conquistar três
ouros, em setembro, no Rio.
*
Eu comecei no esporte com 11 anos, muito por influência do meu pai. Ele havia nadado quando jovem e me colocou desde cedo para praticar.
Como eu nunca fui muito bom em esportes com bola, ele mesmo me sugeriu tentar a natação. Foi uma espécie de amor à primeira vista.
Confesso que não demonstrei um grande talento de cara, mas a natação tem uma característica única no sentido de recompensar o trabalho duro. Se trabalhar com afinco, o resultado vem, tempos diminuem, vitórias se acumulam. Com o tempo, entendi que, quanto mais treinasse, mais recompensa teria.
Percorri minha adolescência toda assim e nadei por quatro anos na faculdade, pela Navy Academy, em Maryland [EUA]. Cheguei a ser capitão da equipe.
Porém, como a vida dá voltas, resolvi aposentar minha touca e investir na carreira militar. Me especializei em desarmar e neutralizar bombas. Servi no Iraque, no Afeganistão e em outras partes do mundo.
Eu me lembro de tudo naquele dia. Era uma manhã de setembro de 2011 [dia 7]. Estávamos indo de uma vila para outra em Kandahar [Afeganistão], havia paredes, prédios, campos. As imagens estão marcadas na memória.
Curioso pensar que minha última visão foram as montanhas do Afeganistão e que, a bem da verdade, aquele é um país geograficamente muito bonito.
Uma mina explodiu sob mim. Quando fui atingido, em meio àquele vai e vem de sensações, achei que estava morto. Lembro-me de estar caído ao chão e que era aquilo, era esperar pelo que vinha depois.
O que me manteve vivo foi uma quantidade enorme de drogas, que me deixaram louco, sem brincadeira, por um bom tempo. Quando finalmente tive noção da extensão, me avisaram que eu tinha duas notícias, uma boa e outra ruim.
A boa: seu cérebro, corpo e coração vão se curar.
A ruim: você perdeu a visão.
Hoje, sou 100% cego. Uso próteses no lugar dos olhos porque os perdi. Eles são falsos. E até por isso sou obrigado a usar óculos para que nada os atinja e me lesione.
Houve momentos difíceis, mas surpreendentemente tirei daquilo um lado positivo. Me fez pensar que eu sabia o que precisava ser feito para me recuperar como humano.
BEVERLY HILLS, CA - MARCH 09: Paralympic swimmer Brad Snyder poses for a portrait at the 2016 Team USA Media Summit at The Beverly Hilton Hotel on March 9, 2016 in Beverly Hills, California. Sean M. Haffey/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==
O nadador posa para foto do time olímpico dos EUASean M. Haffey/AFP
E o esporte me ajudou a ganhar confiança depois do acidente. Uma pessoa próxima à minha família me sugeriu: "por que você não tenta ir para os Jogos Paraolímpicos?"
Tomei a decisão e, um ano depois, conquistei três medalhas na Paraolimpíada de Londres [dois ouros e uma prata].
Não há espaço para lamento em minha vida. Podem até achar exagero, mas eu acho que minha vida é melhor do que teria sido com visão.
Tenho uma família que me apoia, viajo pelos EUA e pelo mundo o tempo todo, dou discursos motivacionais, enfim, gosto de pensar que inspiro pessoas a superar desafios.
A próxima etapa desse meu desafio são os Jogos Paraolímpicos do Rio. Pessoalmente, eu gostaria de ganhar a medalha de ouro que perdi em Londres e levar três ouros [nos 50 m, 100 m e 400 m da classe S11, para atletas com completa ou quase completa perda de visão].
Hoje, sou um nadador bem melhor do que era há quatro anos. Além disso, Londres aconteceu muito rapidamente. Eu havia perdido a visão um ano antes e não aproveitei o quanto podia porque não entendia a magnitude daquilo. Agora, nos Jogos do Rio, eu pretendo levar mais numa boa, desfrutar o máximo possível cada momento.
A imagem que projeto do Rio é de calor, de uma cidade elétrica, na qual todos os atletas estarão superempolgados. Me imagino nadando para os tempos mais rápidos de minha vida, sem colidir com as raias –o que, acredite, é muito difícil para um nadador cego–, conquistando medalhas.
BRAD SNYDER
CLASSE
S11 (atletas com cegueira completa ou quase completa)
CONQUISTAS
Ouro nos 100 m livre e 400 m livre e prata nos 50 m livre na Paraolimpíada de Londres-2012; ouro nos 50 m, 100 m e 400 m livre no Mundial de Glasgow-2015