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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Recuperação aérea dos braços no nado Crawl










Recuperação aérea dos braços no nado Crawl





Um detalhe que volta e meia assombra os professores de Natação é o fato de que muitas vezes assistimos algum supercampeão executando uma ação motora que em princípio fere os paradigmas biomecânicos e hidrodinâmicos e, ainda assim, vence a sua prova ou até mesmo estabelece novo recorde mundial.





Seja pelo conflito estritamente pessoal (estarei eu ensinando certo? O que aprendi na Faculdade está errado?), seja pelo fato de que muitas vezes somos questionados por nossos alunos (mas professor, outro dia eu vi o fulano nadar assim e ele venceu a prova!), sempre que um nadador tem sucesso atuando com uma técnica digamos não correta, surge o dilema: devo valorizar mais os estudos físicos e suas conclusões (visão dogmática do problema) ou devo render-me aos fatos e deixar que em muitos casos os alunos nadem como melhor lhes convier (visão mais pragmática).





Um detalhe técnico no qual isso é bastante comum é a recuperação aérea dos braços no nado Crawl.





Frequentemente assistimos a velocistas ganharem provas e medalhas com uma recuperação de braços estendidos acima dágua, e não com o cotovelo sempre mais alto que as mãos como nos ensinam os livros.





Como é que fica? O que devemos ensinar? Abaixo, ilustrações dos dois padrões de movimento:


Bem, este é um assunto muito controverso entre nós, profissionais da área, mas acredito que neste caso há dois aspectos a serem considerados.

O primeiro é o tipo de prova, e consequentemente de movimento, que o atleta está executando.

Notadamente nas provas de velocidade (50 e 100 metros), a tendência é que a recuperação dos braços seja feita tão rapidamente que ela perca a sua característica de movimento conduzido, para tornar-se um movimento lançado.



Isso faz com que o antebraço seja projetado à frente mais alto que o braço e cotovelo. A necessidade de incrementar a freqüência de braçada para ganhar velocidade e deslocamento se sobrepõe à diretriz técnica e a recuperação muitas vezes assume uma configuração estendida e não fletida.



Tanto isso é verdade que este fenômeno é extremamente raro em provas de 400m ou mais, onde a freqüência de braçada é significativamente menor.




Outro aspecto a ser observado é que vitórias e recordes (mundiais ou olímpicos) muitas vezes não são sinônimos de estilos tecnicamente perfeitos.


Muito pelo contrário, o mais principiante dos professores de natação notará sempre que assistir a uma competição de nível internacional que lá há inúmeros nadadores nadando com erros até de certa gravidade.

A imagem “http://www.gswim.com.br/Blog/710929.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Francês Alain Bernard



Cabeças muito elevadas no nado Peito, batimentos de pernas insuficientes ou até inexistentes, ritmos de braçadas inconstantes, oscilações insuficientes de ombros no nado Costas, e assim por diante.










Isso não significa que os erros deixaram de ser erros, mas somente que estes atletas, apesar das incorreções técnicas, conseguiram superar essas deficiências em sua preparação, compensando-as com força, velocidade, determinação, etc.




Se conseguirem um dia, apesar de já estarem onde estão e de serem quem são, corrigir seus nados ou mesmo minimizar os desvios de movimento, nadarão ainda mais rápido.





fonte: Pedagogia da Natação
Escrito por prof. Bona






2 comentários:

The Conquest disse...

Cara.. mto legal seu blog... deveria divulgálo mais, está sendo mto ultil pra mim.. eu sou bombeiro militar e seu blog me ajuda mto a melhorar minha performance. vlew

Rodrigo Brim disse...

Com todo respeito, não concordo com a afirmação de que eles nadam errado. O correto é reconhecer a evolução do nado, e adaptar as novas técnicas. Existem técnicas diferentes para 50m, 100m, 400m, 800m, 1500m, mar aberto, lagoa, e por aí vai. Eu mesmo nado com braçadas de uma determinada forma nos 50m, que é completamente diferente dos meus 100m. Sei nadar das duas formas ("correta" para os 100m, e "errada" para os 50m), mas a nos 50m é mais eficiente executar as braçadas de forma mais curta, aproveitando mais a força da remada, em detrimento ao alongamento final, e deslize de recuperação. A cabeça também deve ficar mais elevada, para naturalmente afundar mais os pés, melhorando a performance deles. Existem muitos detalhes que vão além dos livros, e conceitos antigos.

Forte abraço!