quinta-feira, 22 de julho de 2010

TREINAMENTO DE VELOCIDADE

AS DUAS CORRENTES DA VELOCIDADE

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Não gosto muito de rotular coisas, mas é inegável que existe no mundo da velocidade duas correntes bem ativas e fundamentadas.

Falo do treinamento específico para velocistas e duas grandes variações, ambas bem populares e conhecidas.

Estes dois programas diferem basicamente um do outro no volume, já que um, o Velocidade Pura é baseado única e exclusivamente no trabalho de alta qualidade, metragem curta, técnica apurada e repetições de curta duração e alta intensidade.

O Velocidade Balanceada tem os mesmos princípios que o Velocidade Pura, mas é adicionado com um tempero de maior volume e uma base aeróbica significativa.

Fica difícil avaliar qual está certo ou errado, se é que existe um certo ou errado.

A verdade é que não faltam exemplos de que ambos dão certo, ou já revelaram dezenas e dezenas de atltas de alto nível.
O Velocidade Balanceada é o programa utilizado pelo russo Gennady Touretsky, atualmente trabalhando na Suiça mas com passagem de destaque pela natação australiana.
Ele atingiu o apogeu com um dos maiores velocistas da humanidade, Alex Popov, bi campeão olímpico dos 50 e 100 livre, Popov detém o recorde mundial dos 50 livre até hoje, já passados 7 anos. Foi em 2000, na sua preparação para os Jogos Olímpicos de Sidney, Popov esteve em Colorado Springs, nos Estados Unidos, fazendo um treinamento de altitude 45 dias antes de quebrar o recorde mundial dos 50 livre em uma seletiva em Moscou. Fica até difícil acreditar que 45 dias antes de nadar para 21:64 Popov estivesse treinando 120 quilômetros por semana.

Grande rival de Popov, o americano Gary Hall foi prata nas duas conquistas olímpicas do nadador russo. E Gary conseguiu grandes resultados em programa completamente diverso do utilizado pelo seu arqui-inimigo. Gary Hall é um exemplo perfeito do programa de Velocidade Pura. Seu treinamento é reduzido, metragem baixa, séries de qualidade mas de reduzida duração, praticamente não faz qualquer trabalho aeróbico na água e um suporte muito forte do trabalho realizado fora d'água.

Mike Bottom, técnico da Universidade da Califórnia e responsável por nomes como Duje Draganja, Bartozs Kizierowski, Anthony Ervin, e muitos outros, é talvez o melhor treinador que se identifica com o programa da Velocidade Pura. Muitas de suas idéias se propagaram com as duas conquistas consecutivas de medalhas de ouro nos 50 livre com Gary Hall Jr. em 2000 e 2004.

Eu não concordo que o trabalho de Velocidade Pura é voltado para velocistas de 50 e 100, e o trabalho de Velocidade Balanceada é para velocistas de 100 e 200. Alex Popov é um dos maiores exemplos de Velocidade Balanceada e não nadou 200 livre em competições internacionais pelo menos por 10 anos. Seus 50 livre até hoje são imbatíveis.

A diferença não está na prova que os velocistas competem, mas na forma como o treinamento é encarado.

Um fator a ser considerado é fazer um planejamento na carreira do atleta onde nas categorias inferiores o nadador seja trabalhado na Velocidade Balanceada com boas cargas de trabalho aeróbico.

Com a maturação e até mesmo o desenvolvimento do atleta, no futuro ele poderá ser treinado e trabalhado dentro do Programa da Velocidade Pura. Este tipo de situação aconteceu com Gary Hall que em sua época de high school tinha na prova das 500 jardas livre a sua maior especialidade.

O sul-africano Ryk Neethling é um exemplo que não pode ser utilizado nesta teoria. Neethling foi finalista olímpico dos 1500 livre em 2000. Ele sempre foi fundista mas já veterano e as vésperas da aposentadoria decidiu mudar para 2004 e passou a treinar como velocista. Os resultados comprovam que houve um benefício muito grande da base aeróbica trabalhada nos anos anteriores. Hoje, Ryk Neethling faz parte da elite mundial dos nadadores de 50, 100 e 200 livre.

O italiano Claudio Rossetto é o atual treinador do velocista Filippo Magnini, campeão mundial dos 100 livre em Montreal e 1o colocado do ranking mundial no ano passado. Em sua recente palestra na Espanha, Claudio cita que o trabalho aeróbico não danifica as fibras musculares rápidas conforme outros trabalhos anteriores já foram apresentados.

Ele é um que procura diferenciar nadadores velocistas que são mais específicos para os 50-100 de outros que são melhores em 100-200. Seu pupilo, Magnini, é treinado para os 100-200.

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Não vejo como solução tentar determinar qual dos dois programas é o correto ou o mais correto. Talvez o mais indicado seja identificar quais atletas se enquadram mais em cada um deles e ver que tipos de benefícios você pode tirar em suas aplicações.

Os programas de Velocidade Pura e Velocidade Balanceada possuem características fisiológicas diferentes e divergem de um treinador para outro mas é bastante clara a co-existência de ambos nos mais diferentes programas de natação de alto nível mundial.

Se fôssemos identificar alguns nadadores de velocidade a nível mundial e determinar a que grupo eles pertencem, teríamos algo neste padrão:

VELOCIDADE PURA - Gary Hall Jr., Duje Draganja, Cullen Jones, Jason Lezak, Mark Foster, Nick Brunelli, Roland Schoeman, Ryk Neethling, Bartosz Kizierowski, Salim Iles, Libby Lenton, Inge de Bruin, Natalie Coughlin, Amanda Weir, Therese Alshamar, Cate Campbell (jovem australiana de 14 anos de idade 24:89).

VELOCIDADE COMBINADA -Peter van den Hoogenband, Filippo Magnini, Simon Burnett, José Meolans, Brendan Hayden, Britta Steffen, Jodie Henry, Federica Pellegrini,, Maritza Correia.

E no Brasil, será que seríamos capazes de identificar valores e atletas que se identificam com os princípios dos dois programas?

Treinadores brasileiros são muito bem preparados e fazem um trabalho bastante científico, muito acima da média internacional.

Nosso maior velocista da atualidade, César Cielo está mais para a Velocidade Combinada do que para a Velocidade Pura. Seu companheiro de treino e de clube, Nicolas Santos é o contrário, assim como Flávia Delarolli outra atleta que também está sob a batuta do técnico Alberto Pinto da Silva.

Maior adversária de Flávia, Rebeca Gusmão orientada por Hugo Lobo se ajustou aos dois programas mas foi mais trabalhada no programa de Velocidade Combinada. No Grêmio Náutico União, o técnico José Aranha tem dois grandes velocistas em luta por uma vaga no revezamento 4 x 100 livre para o Pan.
Guilherme Roth que se dá melhor com o trabalho de Velocidade Pura e Edvaldo Valério que responde com mais qualidade ao trabalho de Velocidade Combinada.

Este artigo não foi produzido na intenção de maximizar um, ou desmerecer o outro programa, ele foi desenvolvido com o intuito de colocar uma discussão que reúna os diferentes aspectos e que comprovam a eficiência de ambos. Resta a você treinador, identificar seus atletas e determinar que programa será de melhor resposta para o seu grupo.

"Velocidade é o que há de mais importante na natação. No final das contas, é disso que a natação trata. É isso que todos tentamos alcançar" – Gennady Touretski (ex-técnico de Alexander Popov, Michael Klim e Matthew Dunn)

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Os sete mandamentos da velocidade
1. Treine rápido para ser rápido
Treine da maneira que você quer competir e incluia sempre o desenvolvimento de sua velocidade nos treinamentos, independente do ciclo de treinamento.

2. Quando mais rápido você deseja nadar, mais relaxado você deve estar
A única diferença de nadar devagar e nadar rápido é a velocidade. Velocidade não tem nada a ver com cerrar seus dentes, tensionar seus músculos ou gritar antes da prova, e sim com relaxamento.

3. Apenas velocidade é velocidade
90% de seu melhor não é rápido. 95% de seu melhor não é rápido. Apenas 100% de seu melhor é rápido. Você não vai nadar mais rápido fazendo seus treinamentos de velocidade apenas próximo à sua velocidade máxima. Você só ficará mais rápido treinando mais rápido do que você jamais treinou antes.

4. Pense rápido para nadar rápido
Se prepare mentalmente para os treinos de velocidade pensando em velocidade. Concentre-se em palavras que têm a ver com velocidade para você, tais como "explosão", "potência", etc.

5. Pratique velocidade de ponta a ponta
Os nadadores mais rápidos do mundo normalmente alcançam a velocidade máxima antes de seus oponentes. Em outras palavras, a aceleração tem importância fundamental. Eles também têm grandes velocidades no final da prova e com isso nadam mais rápido que a concorrência nos últimos metros. Se você está treinando velocidade, trabalhe desde a saída até a chegada – velocidade máxima na saída e na chegada.

6. Concentre-se na qualidade, e não na quantidade
O obletivo dos treinos de velocidade é desenvolver velocidade. Aumentar o número de repetições para alcançar um aumento de volume em detrimento à qualidade (velocidade) vai apenas desenvolver a habilidade de nadar devagar com mais freqüência.

7. Desenvolva sua habilidade, mantenha a técnica e seja honesto no treinamento de velocidade
Nadar rápido não significa desprezar esses itens. Não queime a saída, faça as viradas e chegadas corretamente.

3 comentários:

gabriel disse...

muito bom esses sete mandamentos da velocidade e super importante pra quem é velocista
esta de parabens

Lucas Martins disse...

Nadador bom é aquele que segue a risca os principais itens a serem seguidos, tendo comprometimento com seu treino e respeito pelo seu técnico.

Samuel F. Lopes disse...

Cara achei esses sete mandamentos perfeitos pra mim q sou apenas um "iniciante" vou aproveitar isso bem...