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sábado, 27 de novembro de 2010

Cloro usado em piscinas pode favorecer alergia respiratória

O cloro das piscinas pode favorecer o surgimento de asma e alergias em adolescentes que já tenham alguma predisposição, mostra um estudo belga publicado na edição de outubro de 2010 da revista científica "Pediatrics".

O levantamento, feito na Universidade Católica de Louvain, acompanhou 733 adolescentes entre 13 e 18 anos que nadavam em piscinas com cloro, tanto cobertas quanto ao ar livre.







Os dados foram comparados com os de 114 voluntários que usavam piscinas higienizadas pelo método de ionização por cobre-prata.

O risco de desenvolver asma e rinite foi maior naqueles que tinham sensibilidade alérgica, avaliada por dosagem de determinadas substâncias no sangue.






"O cloro não é um alérgeno, mas sabe-se que ele é irritante. Em pessoas com asma, a irritação pode desencadear crises", diz a alergista Ana Paula Castro, do HC de São Paulo.


A proporção de asma cresceu com a exposição: 6,4% dos que tinham nadado entre 500 e mil horas tiveram o problema. Entre os que nadaram mais de mil horas, o índice foi de 11,9%.








Entre os adolescentes com predisposição, o risco de rinite aumentou entre 2,2 e 3,5 vezes naqueles que tinham nadado mais de mil horas em piscinas com cloro.














Segundo o estudo, a irritação das vias aéreas causada pelo cloro da água e do ar das piscinas tem um efeito no desenvolvimento da asma e de alergias respiratórias.




Esse impacto aparenta ser até mais importante do que o causado pela exposição ao fumo em segunda mão.


"A natação é um excelente esporte para quem tem asma, mas recomendamos que seja praticada em piscinas abertas e, de preferência, que usem outro método de tratamento da água", afirma Castro.


Adolescentes que já passaram mais de 1.000 horas em piscinas coletivas tratadas com cloro têm cerca de oito vezes mais chances de terem problemas com asma e alergias respiratórias do que aqueles que nadaram em piscinas mantidas limpas por meio de ionização por cobre-prata.


A estatística vale tanto para piscinas ao ao livre como cobertas.




Este é o resultado de uma pesquisa da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, publicada no periódico Pediatrics.




Segundo Alfred Bernard, toxicologista que liderou o grupo de pesquisa, "quando usado de forma apropriada, o cloro é um desinfetante eficiente e seguro. Entretanto, quando muito cloro é adicionado à água ou acumula-se no ar sobre as piscinas cobertas, os órgãos do banhista sofrem algum tipo de irritação".

O estudo legitima as evidências crescentes de que essa irritação pode ser prejudicial para as vias respiratórias de pessoas que nadam com regularidade, especialmente as crianças, mais vulneráveis.


No entanto, de acordo Jennifer Appleyard, do departamento de Alergia e Imunologia do Hospital St. John Hospital de Detroit, não se deve encorajar pais a tirarem seus filhos das aulas de natação.














Como o estudo é preliminar, apenas aquelas crianças que já tenham histórico de asma devem deixar a natação – ou mudar para uma escola que trate a água da piscina com outro método que não o cloro.


Nas piscinas domésticas, o pesquisador Bernard sugere uma quantidade segura de cloro, e não a adição da substância com o intuito de deixar a água mais azul – como faz grande parte das pessoas.


"O cloro é um desinfetante, não um agente de limpeza", diz.

Crianças podem ser ainda mais vulneráveis ao cloro do que adolescentes
O estudo Os pesquisadores examinaram 847 adolescente, entre 13 e 18 anos, com vários graus de frequência a piscinas tratadas com métodos diferentes. Destes, 114 serviram de grupo de referência, uma vez que frequentaram piscinas tratadas com ionização por cobre-prata.









Aqueles que nadaram de 100 a 500 horas em piscinas cloradas têm 80% mais risco de ter asma, enquanto os que passaram de 500 a 1.000 horas têm o dobro disso.






Quando o tempo ultrapassa as 1.000 horas, o risco de ter a doença quase quadruplica.
Na comparação entre aqueles que passaram 1.000 horas em piscinas cloradas e aqueles que raramente as frequentam, o risco aumenta oito vezes.


Já o risco de alergias respiratórias mais que dobra entre os adolescentes que passaram mais de 100 horas nadando em água clorada.




Tratamento de Piscinas de Uso Público - Ozonização, Ionização ou Ultravioleta?
O aumento da consciência da população em relação à saúde e ao bem-estar torna as piscinas uma ótima opção, já que os exercícios aquáticos desenvolvem a motricidade, sociabilidade e controle respiratório, além de ser uma ótima fonte de entretenimento, lazer e atividades fisioterápicas.



Todos esses benefícios podem vir acompanhados de preocupações ocasionadas pela manutenção inadequada da água das piscinas, o que torna necessário prover tratamentos mais eficientes de desinfecção.


Diante desta crescente necessidade, o mercado oferece inúmeras opções e cabe ao profissional responsável pela manutenção das piscinas fazer a melhor escolha, priorizando a saúde dos usuários.
Ao escolher a piscina de uma determinada instituição (academia, clube ou colégio) para praticar atividades aquáticas, as pessoas nem sempre levam em conta o tipo de tratamento dado à água.



Isso porque entendem como fator de purificação somente a sua transparência.


A contaminação invisível é muito mais comum do que se imagina.


Milhares de bactérias, vírus, fungos, protozoários e microorganismos em geral podem estar presentes em águas transparentes.



Além disso, as próprias pessoas, ao entrarem na água, adicionam inúmeros contaminantes, que podem afetar a saúde das outras .


Principais formas de contaminação de piscinas
Contaminantes Químicos e Microbiológicos adicionados pelos banhistas na água da piscina




Contaminantes Químicos e Microbiológicos adicionados pelos banhistas na água da piscina

Contribuições Químicas Solúveis :urina ;ColoidaL

Secreções (nasal, faringe, cutânea).
Em suspensão
Cremes, cosméticos, filmes, pele, cabelos etc.

Contribuições Microbiológicas
Bactérias, vírus e parasitas.

Fonte: Ozone Treatment of Waters for Swimming Pools - Edited Rip G Rice, Ph.D - International Ozone Association - March 1982

Dos tratamentos complementares à cloração, disponíveis no mercado brasileiro, destacam-se a ionização, a radiação ultravioleta (UV) e o ozônio (O3).

Ionização
O processo de ionização envolve a liberação de íons de cobre e prata (metais pesados), que são liberados na água a ser tratada.
Os íons de cobre são responsáveis por quebrar as paredes celulares das algas, impedindo que elas se formem novamente. Os íons de prata, por sua vez, fazem a desinfecção da água. Neste tratamento não existe a oxidação de material orgânico contido na água (suor, urina, excreções, etc). Como a ionização tem a grande desvantagem de ser um processo baseado em metais pesados (nocivos à saúde), ela é a menos recomendada.
Radiação Ultravioleta
A luz ultravioleta com comprimento de onda em torno de 250nm (nanômetros) inativa microorganismos quando expostos à mesma. Para que a luz alcance todo o corpo da água é necessário que esta não apresente turbidez. Se por acaso houver turbidez na água, o tratamento fica prejudicado, pois a luz não consegue atingir toda a extensão necessária. Desta forma é necessário garantir a constante limpeza do vidro de isolamento da lâmpada, bem como ter sempre uma água límpida a ser tratada.
Um outro ponto importante a ser lembrado é que, em agrupamento de microorganismos, a luz incidirá somente sobre os da frente, não atingindo os que fiquem "protegidos" na parte de trás.
Este é um processo de tratamento microbiológico, não atuando na oxidação de material orgânico presente na água. É importante notar que existem processos oxidativos utilizando-se UV, inclusive em conjunto com ozonização, porém os produtos oferecidos atualmente para tratamento de piscinas no Brasil não contemplam estes processos.
Os sistemas de ultravioleta comercializados no Brasil funcionam como auxiliares, pois continua existindo a necessidade de aplicá-los em conjunto com o cloro, responsável por garantir a oxidação e desinfecção da água da piscina. Ou seja: continua sendo imprescindível a manutenção do cloro residual livre (de acordo com as normas da Vigilância Sanitária) para garantir a segurança dos banhistas.
Ozônio
O Ozônio (O3), conhecido como Oxigênio Ativo, é um gás natural e protege os seres vivos, como um filtro, dos raios solares malignos. Ele é um poderoso bactericida, algicida, fungicida e viricida (destrói esses microorganismos 3.120 vezes mais rápido que o Cloro), além de ser reconhecido como o mais seguro e eficaz método de tratamento de água do mundo, com aplicações em indústrias, piscinas, águas municipais, medicina e odontologia.
Aplicado na desinfecção da água, o Ozônio faz o papel de agente microbiológico e oxidante ao eliminar as cloraminas (reação do Cloro com todas as impurezas presentes na água). Elas são as grandes vilãs das piscinas, pois agravam problemas alérgicos e respiratórios, causam ardência nos olhos, ressecamento na pele e nos cabelos, descamação do esmalte das unhas, além de deixar cheiro desagradável na água e no corpo.






Além de não causar os desconfortos ocasionados pelas cloraminas, o Ozônio reduz os casos de otite (inflamação dos ouvidos).
Nota-se que a maior vantagem da ozonização, em relação aos outros tratamentos, se deve ao fato dela atender às duas principais necessidades de purificação da água:






1) oxidação da matéria orgânica (que não é possível na radiação ultravioleta e ionização) e a capacidade de






2) desinfecção da água (parcial nos outros sistemas).






Em piscinas com Ozônio, também é necessária a manutenção do cloro residual livre (de acordo com as normas da Vigilância Sanitária), porém a piscina ficará sem cloraminas, conforme exposto acima.
As principais diferenças entre os tratamentos de ozonização, ultravioleta, e ionização
Tratamentos complementares ao Cloro


  • Contaminantes eliminados pelo tratamento Oxidação

  • Desinfecção microbiológica


  • Transpiração/ urina
    Secreções
    Cremes/ Cosméticos
    Vírus
  • Bactérias
    Parasitas e oocistos

Segundo Ricardo Pacheco, foram analisados os equipamentos tipicamente comercializados no mercado brasileiro para tratamento em piscinas. Estes não conseguem inativar muitos parasitas, oocistos e protozoários nocivos à saúde (por exemplo: Giardia e Cryptosporidium) e não fazem processos oxidativos.
Alguns fabricantes de equipamentos no mercado brasileiro, tanto de equipamentos de Ozônio como de ultravioleta, pregam a alta redução ou até mesmo a eliminação do Cloro.



Quando isto é feito, tem-se a impressão de ter reduzido as cloraminas mas, na verdade, a diminuição do cheiro de Cloro acontece simplesmente por estar se usando menos Cloro, abaixo do residual livre mínimo estabelecido pela lei, tornando a água vulnerável a contaminações.

Esta informação é perigosa e irresponsável, visto que coloca em risco a saúde dos banhistas.
Esses três tipos de tratamento são dependentes da quantidade de água que passa pelo sistema de bombeamento e filtração, ou seja, todos tratam a água fora da piscina, na casa de ombas. Desta forma, como os mesmos não têm efeito residual na água, é necessário manter-se o residual de cloro, bromo ou outro oxidante.

Em outras palavras, quando a água volta para a piscina, é preciso continuar existindo um desinfetante para que a água fique protegida das contaminações adicionadas pelos banhistas, até que ela volte a passar pelo tratamento na casa de bombas.
Conclui-se, portanto, que os fatores primordiais a serem considerados no tratamento das piscinas estão relacionados à escolha do sistema mais eficaz, além de sua correta utilização, que garantirá segurança ao processo de desinfecção da água e, conseqüentemente, ajudará a garantir a saúde de quem estiver na piscina.
* Ricardo Pacheco é engenheiro, mestrando pela Unicamp, e diretor de engenharia da Panozon Ambiental S/A (www.panozon.com.br), empresa nacional especializada em sistemas de tratamento de águas e efluentes com tecnologia à base de Ozônio.
Referências Bibliográficas
1. Química Del Agua En Piscina y Spa - Taylor 2. Piscinas Litro a Litro - Nilson Maierá
3. Ozone Treatment of Waters for Swimming Pools - Rip G Rice, Ph.D 4. Alternative Disinfectants and Oxidants - EPA - Environmental Protection Agency (USA)
Este documento é de caráter técnico informativo. Todos os direitos reservados. A reprodução deste texto só é permitida de forma integral, com citação da fonte. Não é permitida a reprodução parcial.
Panozon Ambiental S/A, empresa nacional especializada em sistemas de tratamento de águas e efluentes com tecnologia à base de Ozônio, estará expondo na 7ª IHRSA/FITNESS BRASIL.
Fonte:Carvalho Comunicações 2/8/2006
GABRIELA CUPANI da Folha de S.Paulo

2 comentários:

TitaFerreira disse...

Pode ser, mas no meu caso não é verdade. Tenho 58 anos. Comecei a nadar aos 13 para curar a asma e rinite de fundo alérgico. nadava na piscina do Botafogo, clorada. Fiquei boa da asma e a rinite só se manifesta quando me exponho a mofo, poeira, fumaça de cigarro. De lá para cá - é muito tempo - continuei nadando. Outras piscinas, ams todas cloradas.

Há um mês estou morando num condomínio que tem uma piscina muito boa e estou nadando nela, há um mês. Infelizmente vou ter que parar, pois é nadar e a rinite vem, que não tem homeopatia nem Claritin que resolva. A mucosa do nariz já está até ferida.

Gostaria de saber qual outro produto de limpeza de piscinas pode causar um efeito alérgico assim, para poder questionar junto ao condomínio.

Um abraço.
TiTa

TitaFerreira disse...

No Blog Da Alergia, da Clínica de Alergia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, que aliás foi onde me tratei, diz que "cloro não é um alérgeno, mas atua como irritante das mucosas (respiratória e ocular), podendo desencadear crises de asma, rinite, conjuntivite alérgica e piorar alergias na pele. Não é comprovado um mecanismo alérgico (imunológico) envolvido no processo"

http://blogdalergia.blogspot.com.br/2012/04/existe-alergia-ao-cloro.html

Por tanto se nunca tive irritação com cloro, o que está me causando alergia é outro produto. É isso que teno que descobrir, ou para mudar o produto, ou para me imunizar.