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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Deslocamento no meio líquido: fim do Mistério.

Existem detalhes técnicos em cada um dos quatro nados que podem ser classificados como críticos.
Tratando de movimentações tecnicamente corretas e hidrodinamicamente eficazes, todo detalhe é relevante e merecem atenção de nadadores, alunos e professores.

Podemos destacar alguns com maior grau de importância que requerem atenção redobrada pois combinam duas características:
  • forte influência na eficácia final no nado
  • ao mesmo tempo, difícil assimilação

Mesmo sendo um assunto polêmico entre os profissionais da área vale a pena analisa-los. Pois os princípios físicos do meio líquido não se alteram.
1. Nado CRAWL: não finalizar a fase submersa da braçada junto às coxas.

Há evidências científicas que essa fase final é a mais propulsiva de todo o ciclo de braço e no Crawl, cerca de 80% da propulsão total do nadador é obtido com a ação de braços.

Ainda assim, é impressionante como tem aluno que não completa a ação submersa e inicia a recuperação de forma prematura. Este erro costuma aparecer também no Borboleta com efeitos quase tão desastrosos como os vistos no Crawl.
2. Nado COSTAS: falta de "rolamento" de ombros.



O rolamento de ombros no Costas é uma ação que ao mesmo tempo diminui o atrito frontal do nadador contra a água, reduzindo significativamente o arrasto total do nado, e funciona como elemento posicionador dos braços, propiciando tanto uma boa recuperação do braço cujo ombro está emerso, como uma boa tração e empurre do braço oposto (submerso).



Apesar disso, pouquíssimos nadadores fazem este rolamento com a amplitude necessária sem muita correção e exercícios específicos.
3. Nado PEITO: redução ou completa ausência da fase de deslize logo após a ação de pernas. Talvez influenciados pelos demais nados, cuja propulsão provém majoritariamente da ação dos membros superiores, a grande maioria dos nadadores de peito tende a ser muito ansiosa para reiniciar uma nova puxada de braços após cada ação de pernas, não deixando que ocorra a famosa “pausa de deslizamento”.
O atual recordista olímpico dos 100m e 200m Peito, o japonês Kosuke Kitajima (na foto ao lado), tem um nado que é pedagógico neste detalhe.
Em todas as provas , ele é o que mais desliza e obtém sempre os melhores tempos.
4. Nado Borboleta: executar o nado sem a contribuição efetiva da golfinhada.
Seja devido a uma golfinhada com pouca amplitude e (por isso mesmo) pouco eficaz, seja por executá-la de forma descoordenada com a ação de braços, é enorme o número de nadadores que executa um nado Borboleta praticamente só ás custas dos braços.

Não deixa de ser uma maneira viável de nadar, mas extremamente cansativa e pouquíssimo eficiente.

Exercícios em separado (visando amplitude e freqüência corretas da golfinhada) e de coordenação geral devem ser feitos exclusivamente com este foco: nadar o Borboleta utilizando-se corretamente seus dois elementos propulsivos: braçada + golfinhada.


Bons Treinos!!

2 comentários:

Marco Angelo disse...

Você não pode falr em finalização do nado, principalmente do crawl sem levar em conta fatores hidrodinâmicos e biomecânicos. O que é finalizar perto da coxa? Qual parte? Como? Um gesto motor errado reduz mais ainda propulsão.

Flavia disse...

Realmente esses detalhes fazem toda a diferença. Eu achava que nadava direito. Até que um professor corrigiu meus erros, chamando atenção, justamente para os detalhes descritos nesse post!!! Foi ai que meu desempenho melhorou dobrei minhas marcas!!!