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terça-feira, 27 de junho de 2017

O Fim do “sexo frágil”???



Ao menos no programa da natação olímpica.

Dizer que alguém treinou como uma garotinha há muito tempo deixou de ter significado na natação. 
Pois os treinos se mostram tão duros e pesados para ambos.
Então por que programas diferentes? 

Houve uma época em que o sexo feminino era tratado sem pudores como “sexo frágil” na natação.
E isso se refletia até no programa de provas da natação olímpica.
Por exemplo: 
até 1964, os 200m borboleta eram disputados somente por homens. 
No feminino, apenas os 100m do estilo. 
A justificativa era que a prova era muito desgastante para ser encarada por mulheres.
(a holandesa Harry Pot, recordista mundial dos 200m borboleta em 1960, só teve a oportunidade de competir os 100m na Olimpíada daquele ano e terminou com a prata – que poderia ter sido ouro caso sua especialidade fosse prova olímpica.)


A holandesa Marianne Heemskerk, recordista mundial dos 200m borboleta em 1960 (foto: Harry Pot)
A holandesa Marianne Heemskerk, recordista mundial dos 200m borboleta em 1960 (foto: Harry Pot)

Na Olimpíada de 1968, foi implementado um programa de provas que é a base para o existente hoje,  com provas de 100m a 1500m livre (com 800m feminino e 1500m masculino), 100m e 200m borboleta, costas e peito e 200m e 400m medley.
No entanto, ainda persistia uma diferença sexista. 
Para os homens, três revezamentos. 
Para as mulheres, apenas dois: não havia o 4x200m livre feminino.

Era resquício de um pensamento do início do século semelhante ao que justificava os 200m borboleta somente para homens: o 4x200m seria muito desgastante para mulheres.

E demorou para que essa discrepância fosse corrigida: somente em 1996 o revezamento seria adicionado ao programa feminino, uma correção tardia em uma época de mais esclarecimentos do que décadas antes em que supostamente não deveria mais haver distinções por sexo, principalmente no esporte, que tem como um dos objetivos a congregação e universalidade de raças, povos etc.

Pois aquele mesmo pensamento das mulheres frágeis, que não podiam nadar 200m borboleta e 4x200m livre, encontra resquícios ainda hoje.

Não que na natação alguém ainda ache que mulheres não podem nadar as mesmas provas que homens.
Em nome da tradição, a prova olímpica feminina mais longa são os 800m livre feminino. Para os homens, os 1500m.

Felizmente as coisas estão mudando, o Comitê Olímpico Internacional (COI) finalmente anunciou a paridade dos programas feminino e masculino na natação, com a inclusão dos 800m masculino e 1500m feminino para a próxima Olimpíada, em Tóquio, em 2020.
Assim como ocorreu com o 4x200m, talvez essa mudança pudesse ter ocorrido muito antes. 
Afinal, mesmo que tal pensamento não faça sentido hoje, o fato dos homens nadarem uma prova mais longa que as mulheres era justificado pelo mito do “sexo frágil”. 
E não há motivos para que algo resultante desse pensamento se perpetue. 

Nem em nome da tradição
O esforço do COI de reduzir a diferença das representatividades masculina e feminina tem sido observado gradativamente nos últimos ciclos olímpicos, e não só na natação. 
Por isso, tal iniciativa é louvável.
Por outro lado, há quem diga que as provas são redundantes. 
Não teria sido melhor, para paridade dos gêneros, manter somente 800m masculino e feminino? Ou somente os 1500m?
Mas será que são mesmo redundantes? Não necessariamente. Em Campeonatos Mundiais, as provas são disputadas desde 2001. 
Em 8 edições, houve 16 pares 800m-1500m feminino e masculino. 
E em 6 os vencedores foram diferentes. 
Então não necessariamente há garantia de que os vencedores serão os mesmos. 
Claro, quando há alguém como Katie Ledecky na disputa.


Katie Ledecky e um de seus quatro ouros olímpicos em 2016 (foto: USA Today Sports)
Katie Ledecky e um de seus quatro ouros olímpicos em 2016 (foto: USA Today Sports)

O que é certo é que os nadadores de livre têm muito mais possibilidades de medalhas. 
Se houvesse provas de 400m e 800m costas, borboleta e peito, certamente teríamos medalhistas diferentes. 
E há também a inclusão do revezamento 4x100m medley misto (duas mulheres e dois homens). Disputada em Mundiais em 2015.
E o que parecia ser uma prova em que as diferentes estratégias das equipes seria o grande atrativo não se concretizou de forma completa: 
já se percebeu que em geral o melhor aproveitamento é obtido com dois homens abrindo e duas mulheres fechando – todas as equipes que subiram ao pódio no Mundial de 2015 nadaram dessa forma, assim como a maioria dos times.
Agora com a responsabilidade da prova ser olímpica, as equipes dedicarão maiores estudos.Como para os 800m masculino e 1500m feminino.
Tokio se aproxima, quem viver verá...

Tóquio 2020 pode ter novas provas de natação

Fina quer aumentar em um dia o calendário das provas

Em 2016, calendário da natação do Rio 2016 teve oito dias.           
A Federação Internacional de Natação (Fina) indicou, dia 29 de maio 2017, que o programa de natação dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 pode ter novas provas.

A Fina estuda ampliar em um dia as datas competitivas do esporte na Olimpíada, passando dos oito dias na Rio 2016 para nove, com o objetivo de realizar mais três provas: 

  • finais de revezamento misto
  •  1,5 mil metros femininos 
  •  800 metros masculinos

— É um desejo da emissora olímpica OBS, já que a natação dá audiências muito boas — argumentou a fonte.
Olympic Broadcasting Services (OBS) é um órgão do Comité Olímpico Internacional, criado em 2001 para ser o responsável por fornecer as imagens dos Jogos Olímpicos para o detentoras dos direitos de radiodifusão, mantendo os padrões de transmissão olímpico entre uma edição e a próxima.
Sua primeira operação foi nos jogos Olímpicos de 2008 em Pequim.
 Anteriormente, a emissora anfitriã da função foi delegada ao local, a organização de comitês ou para terceiros organismos de radiodifusão, tendo que reconstruir a operação de transmissão em cada edição.

O acréscimo destas provas teria que ser discutido na próxima reunião do Comitê Olímpico Internacional (COI), no próximo dia 9 de junho 2017.

Com desejo de se aproximar da igualdade entre homens e mulheres, o COI também quer introduzir provas mistas no atletismo, como nos 4x100 ou nos 4x400.

O COI também tem vontade de limitar em 10,5 mil a quantidade de atletas em Tóquio. 
Para isso, a entidade pode reduzir o número de participantes em outros esportes, como o halterofilismo, muito afetado por doping, segundo essa mesma fonte.

No mundo esportivo atual marketing, audiência e patrocinadores (não exatamente nessa ordem) comandam o espetáculo.
Que o Barão de Coubertin não os ouça... mas as os jogos que em suas regras fundamentais contemplavam atletas amadores no nascimento... cresceu , multiplicou se e como todo adulto, profissionalizou se...

FONTE: FINA/ 0BS/ COI