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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Evolução Técnica da Natação - Quando é preciso Nadar cada vez mais Rápido.

Quando Nadar significava Sobrevivência...

 A água é um elemento que está presente na vida do ser humano desde seu nascimento, e ele representa de 40 a 60% de seu peso corporal(McARDLE, KATCH e KATCH, 1990).
 Apesar disso, o meio aquático não é seu meio natural, podendo inclusive percebê-lo como hostil. 
Nas sociedades primitivas a natação é vista como uma atividade de sobrevivência, bem para poder pescar ou, simplesmente, para não perecer afogado em quedas fortuitas na água ou crescidas de rios (Lewin, 1979).




A técnica executada não era o mais importante, mas sim o resultado final, a Vida.

Mas, que entendemos por natação?
A natação se define como:"ação e efeito de nadar" (REAL ACADEMIA ESPANHOLA, 1997), entendendo por nadar: 
"deslocar uma pessoa ou animal sob a água, ajudando-se dos movimentos necessários e sem tocar o solo nem outro apoio" (REALACADEMIA ESPANHOLA, 1997).

Outros autores, vemos que aparecem termos como energias: 
 "Avance voluntário num líquido elemento, graças às próprias energias" (IGUARÁN,1972), ou inclusive o termo sustentar-se.

 mas fazendo unicamente referência ao homem: 
 "Meio que permite ao homem sustentar-se e avançar na água"(RODRÍGUEZ, 1997).

Baseando-nos nos autores citados anteriormente, podemos definir a natação como "a habilidade que permite ao ser humano deslocar-se num meio líquido, normalmente a água, graças às forças propulsivas que gera com os movimentos dos membros superiores, inferiores e corpo, que lhe permitem vencer as resistências que se opõem ao avanço".

Uma vez definida a natação, ao adicionar-lhe o adjetivo "desportiva",teríamos a atividade na que o ser humano pratica um esporte olímpico regulamentado, com o objetivo de deslocar-se da forma mais rápida possível na água, graças às forças propulsivas que gera com os movimentos dos membros superiores, inferiores e corpo, que lhe permitem vencer as resistências que se opõem ao avanço do nadador . 

 EVOLUÇÃO DA NATAÇÃO ATRAVÉS DA HISTÓRIA

Os primeiros registos históricos que fazem referência à nataçãoaparecem em Egito, no ano 5.000 a.C., nas pinturas da Rocha de Gilf Kebir(LEWILLIE, 1983)

Mas até o esplendor de Grécia, a natação não vai desprender dessa mera função de sobrevivência; é então quando a natação passa a ser uma parte mais da educação dos gregos (LEWIN, 1979;RODRÍGUEZ, 1997)
Quanto à natação desportiva nos Jogos Olímpicos antigos, não existe constância de sua prática; verdade é que as competições de natação são algo pouco freqüente (LEWIN, 1979), mas a natação sim tem uma grande importância no treinamento militar e como medida recuperadora para os atletas (JARDÍ, 1996)
Ao igual que em Grécia, em Roma a natação faz parte da educação dos romanos, existindo uma visão mais recreativa da água, exemplo disto é que dentro de suas termas, existiam piscinas a mais de 70 metros de longitude(LEWIN, 1983).

Durante a Idade Média o interesse pela natação decresce em grande parte, devido sobretudo, ao pouco entendimento que se mostra a tudo o relacionado com o corpo humano. 
Só nos países do norte de Europa se vê como uma atividade benéfica (LEWIN, 1979; REYES, 1998).
No Renascimento, a prática da natação volta a ressurgir do período de obscurantismo ao que esteve submetida durante a Idade Média, e se a considera como uma matéria idônea dentro das atividades físicas (REYES,1998).  
Como fruto desta concepção, surgem os primeiros escritos referentes à natação, como é o livro do alemão NICHOLAS WYMMAN (1538) titulado:  "Colymbetes, Sive de arti natandis dialogus et festivus et iucundus lectu", cuja tradução livre é:
"O nadador ou a arte de nadar, um diálogo festivo e divertido de ler" (IGUARÁN, 1972)

Este livro, escrito em latim, é considerado o primeiro documento integralmente dedicado à natação. 
A primeira referência em espanhol, não aparece até o ano 1848, obra anônima que consiste numa recopilação de artigos do livro do autor francês THEVENOT publicado em 1696(NAVARRO, 1978).  


É no século XIX, em Inglaterra, a natação atinge seu maior apogeu. 

No ano 1828 se constrói em Londres a primeira piscina coberta, e no ano 1837 se leva a cabo a primeira competição organizada (REYES, 1998).

Ao aparecer as primeiras competições, surge a necessidade de regrá-las; com esse objetivo nasce em Inglaterra, no ano 1874, a primeira federação de clubes que leva por nome "Association Metropolitan Swimming Clube" 
, que redige o primeiro regulamento de natação, dando-se a possibilidade de estabelecer recorde do mundo (RODRÍGUEZ, 1997).  
Também é durante este século, no ano 1875, quando o ser humano cruza a nado pela primeira vez o Canal da Mancha, MATTHEW WEBB, que estabelece um tempo de 21 h e 45 min.



Os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna
Os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, celebrados em Atenas em 1896, já contemplavam a natação como esporte, com um programa de provas inclui: 
  1.  100, 500 e 1.200 m.  

Não participaram mulheres, quem tiveram sua primeira competição oficial tão só quatro anos depois na Escócia (REYES, 1998).  
O desenvolvimento do calendário das provas através dos seguintes . não deixa de ser surpreendente, já que em Paris (1900) celebram-se:
  1.  100 e 200 m livres
  2.  200 m costas;
  3. 60 m submarinos 
  4. e 200 m obstáculos, sendo disputadas as provas no rio Sena(RODRÍGUEZ, 1997).

Os primeiros Jogos Olímpicos disputados numa piscina são os de 1904 em Saint Louis (EUA.), e o programa consta das seguintes provas:
  1.  100, 200 e 400 Jardas livres
  2. 100 Jardas costas 
  3. e 400 Jardas Peito (RODRÍGUEZ, 1997).

Devido ao grande auge que toma a natação nos Jogos Olímpicos, começam a aparecer os primeiros estudos científicos que tentam aprofundar no estudo da natação. 
Em 1905, DUBOIS-REYMOND (citado por LEWILLIE, 1983) mede a força que exerce um nadador atado a um bote tendo que deslocar o mesmo, dita força se registra com um dinamômetro. 
Poucos anos mais tarde, Houssay (citado porLEWILLIE, 1983) estuda ao nadador atado a velocidade zero.
.Ao longo dos primeiros Jogos da era moderna, desde 1896 até 1908, a variação quanto ao calendário de provas a disputar e sua regulamentação é contínua e pouco clara; para evitar isto, nasce em 1908, a Fédération International de Natation Amateur (F.I.N.A.) com os seguintes propósitos: 
a) estabelecer regras unificadas para a natação, os saltos e o waterpolo;
 b) verificar os recorde do mundo e estabelecer uma lista dos mesmos 
c) dirigir as competições nos Jogos Olímpicos. 
Inicialmente foram oito os países que fizeram parte desta Federação: 
Bélgica, Dinamarca, Finlândia,França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria e Suécia (F.I.N.A., 2000).
Nos Jogos de Estocolmo (Suécia) em 1912, têm lugar dois fatos importantes:
 por um lado, participam pela primeira vez as mulheres, e por outro, aparece a figura do príncipe hawaiano DUKE KAHANAMOKU, grande dominador das provas do estilo livre nestes Jogos e nos seguintes, graças a sua magnífica técnica de nado do estilo crawl (RODRÍGUEZ, 1997; REYES,1998).   
Atualmente sabemos que a técnica de Saída e chegada influenciam a  maior parte do tempo obtido.
A execução da braçada durante o nado e a posição do corpo podem reduzir o atrito aumentando assim sua velocidade, mas guerreiros como DUKE KAHANAMOKU podiam contar com sua carga genética e garra para obter sucesso.
Compare:





Nos Jogos de Paris (França) em 1924, instaura-se a piscina de 50 m como piscina regulamentar onde devem disputar-se as provas do programa olímpico e se utilizam pela primeira vez as Raias para delimitar a piscina (FONTDEVILA, 1999), a evolução destas é constante até chegar ao modelo utilizado no último Campeonato do Mundo de Barcelona em 2003,  têm em seu interior umas aspas, para diminuir a influência das ondas. 
Em 1926 se disputa em Budapeste (Hungria) o primeiro Campeonato de Europa, no que participa Espanha, atingindo o nadador Francesch a final na prova de 200 m braça. 

Dois anos mais tarde se disputam em Amsterdam (Holanda) os jogos Olímpicos, destacando o nadador americano John Weismüller, vencedor nas provas de 400 e 100 m livres. 
É nesta última prova em onde consegue baixar, pela primeira vez, do minuto realizando um tempo de 58"6 (Reyes, 1998).
A princípios dos anos 30, começam a realizar-se os primeiros estudos científicos no âmbito da natação (LEWILLIE, 1983)
Assim,KARPOVICH, em 1933, relaciona a resistência com a velocidade e CURETON, entre outros trabalhos, realiza um estudo para relacionar a respiração e a velocidade de nado (1930) e outro no que estuda os fatores que levam ao sucesso na natação (1934) (citados por CURETON, 1974)
.Nos Jogos de Los Angeles em 1932, aparece Japão como potência mundial na natação, graças à posição mais oblíqua que têm seus nadadores ao deslocar-se e a um maior movimento do membro inferior (CURETON, 1974)
Vencem nos 100 m livres, 1.500 m livres, 100 m costas e 4 x 200 m livres, em categoria masculina.  
A luta entre japoneses e americanos, também se mantém nos seguintes  celebrados em Berlim(Alemanha) em 1936 Entre 1940 e 1944 não se disputam  devido à Segunda Guerra Mundial. 
 Em 1948, retomam-se os Jogos em Londres (Inglaterra), sem a participação de japoneses e alemães,excluídos pelo F.I.N.A. por motivos políticos.
Em Helsinki (Finlândia) em 1952, disputam-se os XV Jogos Olímpicos, sendo o grande protagonista o japonês HIRONOSHIM FURUHASKI que vence em100 e 200 m peito. 

Em Melbourne (Austrália) em 1956, a grande figura é a australiana DAWN FRASER que vence nos 100 m livres e ajuda a seu país a conquistar o podium (ouro, prata e bronze) nesta prova, tanto em categoria feminina como masculina (REYES, 1998). 
Em 1960 Roma (Itália), a superioridade da representação australiana é visível, já que se impõem em todas as provas individuais masculinas. 
Por sua vez, a representação americana se impõe em todas as provas femininas a exceção dos 200 m peito e os 100 m livres.  
Esta última prova é ganha pela australiana DAWN FRASER, quem dois anos mais tarde se converte na primeira mulher em baixar do minuto  nos 100 livres, com um tempo de 58"9.  
Em Tokio (Japão) no ano 1964, a supremacia volta aos americanos que se impõem em todas as provas a exceção de seis. 
Utiliza-se pela primeira vez o cronometragem eletrônica, que permanece até hoje.
"First Symposium on Biomechanics in Swimming", se converte no foro científico mais importante do mundo da natação, e que se celebrará sem interrupção cada quatro anos (LEWILLIE, 1983).  
A última edição, a nona, foi celebrada em Saint Etienne em 2002.
Os Jogos celebrados em Munich (Alemanha) em 1972, hougre a consagração do considerado  melhor nadador de todos os tempos, o americano MARK SPTIZ, que conquistou sete medalhas de ouro, quatro em provas individuais (100 m livres; 200 m livres; 100 m borboleta; 200 m borboleta) e três fazendo parte da equipe de revezamento dos USA. 


Todas estas medalhas foram conquistadas batendo os recordes do mundiais.
 Fato até então inédito  na história da natação. 
Montreal (Canadá) celebram-se os Jogos de 1976, registrando-se um total de vinte novos recordes do mundo, destacando o do americano JIM MONTGOMERY que se converte no primeiro nadador que consegue nadar porem baixo de 50 s na prova de 100 m livres, ao realizar um registo de 49"99. 
Destacar também à alemã democrática KORNELIA HENDER que consegue quatro medalhas de ouro e outros tantos recordes do mundo. 
Assim mesmo se instauram pela primeira vez os controles antidoping. 
Nos anos seguintes destacam duas figuras de grande relevância, o russo VLADIMIR SALNIKOV, primeiro homem em baixar dos quinze minutos nos 1.500 m livres e a americana MARY T. MEAGHER que, com um tempo de 2'05"96 na prova de 200 m borboleta, ostenta o recorde mundial durante vinte anos, até 2000. 

Em 1980 os Jogos em Moscou (URSS), foram  marcados pelo boicote político que alguns dos países ocidentais, com os E.U.A.  liderando o movimento.  
O boicote político se repete, quatro anos mais tarde, nos Jogos de Los Angeles (E.U.A.)esta vez são os países socialistas, com a URSS como porta-bandeira desta postura,  não participam dos jogos. 
Bateram-se dez recorde do mundo,  fato que não se repete nunca mais na história  é o empate pela medalha de ouro entre as nadadoras americanas STENSEIFER e HOGSHEAD na prova de 100 m livres.

Em 1986, celebram-se em Madri os "V Campeonato do Mundo de Natação", que congregam a 1.119 nadadores, participação sem precedentes até esse momento. 
Dois anos depois se celebram em Seul (Coréia do Sur) osJJ.OO., que engrandeceram à nadadora da República Democrática Alemã KRISTIN OTTO, que atinge seis medalhas de ouro, o maior número de medalhas de ouro depois de MARK SPITZ, em 1972.  
Também nestes jogos, a supremacia americana se vê freada pelos nadadores da antiga URSS, que competem sob a denominação de Confederação de Estados Independentes (RODRÍGUEZ, 1997).  
Em 1996, celebram-se os Jogos em Atlanta, a nadadora mais marcante é a irlandesa, até esse momento desconhecida,MICHELLE SMITH que vence nos 200 e 400 m estilos e nos 400 m livres(RODRÍGUEZ, 1997). Nos Campeonatos de Europa celebrados em Sevilla em

Nos últimos Jogos celebrados no 2000, em Sydney (Austrália),destacam o grande número de recorde batidos, com a supremacia dos holandeses na prova de 100 m. livres, tendo como vencedores, com senhos recorde do mundo, a PETER VÃO DE HOOGENBAND e INGRID DE BRUIJN.
Destaca também o jovem australiano, IAN THORPE, ganhador dos 400 m livres.  



Nos IX Campeonatos do Mundo celebrados em Fukuoka (Japão) no ano 2001, a grande figura é IAN THORPE com consegue quatro recordes mundiais: 200, 400 e 800 livres; e o revezamento 4 x 200 livres fazendo parte da equipe australiana. 
Esta equipe, consegue vencer os Estados Unidos  em número de medalhas (13 medalhas de ouro para Austrália, por 9 de Estados Unidos);no entanto no número de semifinalistas e finalistas se impõe Estados Unidos(GANSO, 2001)
Recentemente nos X Campeonatos do Mundo celebrados em Barcelona em 2003, deram-se citação mais de 1500 nadadores, que competiram numa piscina construída especialmente para este evento, dentro do Palau Sant Jordi. 
O nível foi elevadíssimo, batendo-se um total de 14 record do mundo, destacando a figura do americano MICHAEL PHELPS que com cinco recordes do mundo foi o grande dominador das provas de 200 m borboleta, 200 m estilos e 400 m estilos. Cabe destacar também ao russo ALEXANDER POPOV que com 32 anos conseguiu vencer nos 50 e 100 m livres. 

EVOLUÇÃO DOS ESTILOS DA NATAÇÃO DESPORTIVA
Estudamos a origem e evolução dos quatro estilos de nado com os que se compete na atualidade; a evolução dos estilos prove essencialmente da busca da melhora da velocidade (RODRÍGUEZ, 1997).
  
O Crawl
O estilo crawl, na atualidade, pode-se definir como: 
deslocamento humano na água caracterizado por uma posição ventral do corpo e movimentoalternativo e coordenado das extremidades superiores e inferiores, sendo o movimento das primeiras uma círculo completo e o das segundas batimento pernas alternados, com uma rotação da cabeça, coordenada com os membros superiores para realizar a inspiração (ARELLANO, 1992)
Uma vez que definimos o estilo crawl tal e como se desenvolve na atualidade, estudamos como se chega a ele. 

A primeira forma de nado rudimentar da qual se pode dizer que nasce o crawl, é o
"English side stroke" , que nasce em Inglaterra em 1840, e se caracteriza por nadar sobre as costas  com uma ação alternada dos membros superiores, mas sempre subaquática, enquanto os membros inferiores realizam um movimento de tesoura.
Somente dez anos depois apareceu o "Single over" ou"Over singelo”, o qual consiste no nado sobre o custado, mas com uma recuperação aérea dos membros superiores, dito estilo é nadado pela primeira vez pelo australiano WALLIS (RODRÍGUEZ, 1997; REYES, 1998).
Posteriormente aparece o "Trudgen" (sobrenome do primeiro nadador que o utiliza), que é "importado" a Europa por dito nadador inglês ao observar-se realizar a indígenas sul americanos. 
O nado tem como novidade que se nada sobre o abdômen, movendo alternativamente os membros superiores por fora da água, enquanto os membros inferiores realizam um movimento semelhante ao pontapé de peito. 
Em 1890 este estilo tem uma nova evolução levada a cabo pelos nadadores australianos, quem realizam um nado"Trudgen" , mas com movimento do membro inferior de tesoura, denominando-se esta nova técnica "Double over" ou "DOBRO OVER" (REYES, 1998).
Mas não é até o ano 1893 quando o pontapé de tesoura se substituído por um movimento alternados dos membros inferiores, dando a conhecer a forma mais rudimentar do estilo "crawl" ou crol, adotado pela primeira vez pelo nadador HARRY WICKHAM (DUBOIS E ROBIN, 1992; RODRÍGUEZ, 1997;REYES, 1998); mas é em realidade o nadador CAVILL o que mais difunde este estilo, introduzindo-o no ano 1903  nos USA (CEGAMA, 1962; DUBOIS EROBIN, 1992).

O crawl acaba de evoluir em 1920 nos JOGOS quando o príncipe hawaiano DUKE KAHANAMOKU, graças à realização de uma batidade seis tempos, consegue obter uma posição mais oblíqua que lhe permite bater todos os registos (REYES, 1998). 



Desde esse momento, o estilo crawl sofre pequenas variações: em 1928, CRABBE realiza um nado com respiração bilateral; em 1932, os japoneses realizam um crawl com uma tração descontinua para favorecer a eficácia do batido e, em 1955 JOHNWEISMÜLLER, realiza a tração subaquática com uma importante flexão de cotovelo na metade do percurso (DUBOIS e ROBIN, 1992).  
Na atualidade, atécnica de nado não tem varia muito desde a utilizada por dito nadador; ainda que nos últimos anos o nadador australiano MICHAEL KLIM, em certos momentos da prova, realiza movimentos de crawl do membro superior coordenados como batido de borboleta nos membros inferiores; como ocorreu nos metros finais da primeira posta do relevo 4 x 100 m livres nos jogos de Sydney (Austrália) em 2000.

O Nado Costas
O costas, na atualidade, pode-se definir como: deslocamento humano na água caracterizado por uma posição dorsal do corpo e movimento alternativo e coordenado das extremidades superiores e inferiores, sendo o movimento das primeiras uma circundução completa e o das segundas um batimento; existindo um giro no eixo longitudinal durante o nado.
A origem do estilo costas começa quando se nada sobre o dorso do corpo realizando a braçada de forma simultânea e com pontapé de braça. 
Em1912, o americano Habner, realiza o mesmo tipo de nado, mas utilizando um movimento dos membros inferiores em forma de pedalado, dito estilo foi denominado Costas-crawl (Rodríguez, 1997). 
No ano 1930, os japoneses mudam o movimento do membro inferior realizando-o de forma que o joelho está mais estendido, parecida ao estilo crawl. 
Em 1933, adota-se um nado como corpo mais horizontal, realizando a entrada dos membros superiores mais abertos evitando assim, rolamento  do corpo; esta técnica se denomina"Kiefer" , sobrenome do primeiro nadador que a utiliza. 
Em 1948, o francêsVallerey, introduz a flexão de cotovelo ao início da fase de impulso (Dubois eRobin, 1992). A última variação foi a surgida em 1960, quando Tom Estoque,treinado por James Counsilman, nada numa posição mais horizontal,realizando um giro no eixo longitudinal quando entra o membro superior noágua, e flexionando o cotovelo 90 graus quando o braço está perpendicular aoombro, realizando passadas em forma de "s" tombada (Reyes, 1998).
Esta técnica não varia em excesso até a atualidade.

O  Peito
O estilo peito, na atualidade, pode-se definir como: 
deslocamento humano no água caracterizado por uma posição ventral do corpo e movimento simultâneo, simétrico e coordenado das extremidades superiores e inferiores, descrevendo o movimento das primeiras uma trajetória circular e o dassegundas um pontapé, com um movimento de ascensão e descenso de ombros e quadris que, coordenado com os membros superiores permite realizar a inspiração.
O peito é o estilo mais antigo dos quatro existentes; em seuscomeços se nada com uma ação de empuxo com os membros superiorescompletamente estendidos, e existindo muita separação entre os membrosinferiores ao realizar seu movimento, este tipo de braça se denomina Braçada inglesa (Cegama, 1962). 
Em 1924, o alemão Rademacher, introduz algumas variantes na técnica de nado como são:
  1. uma braçada realizada em profundidade, um deslizamento horizontal, e uma posição mais baixa dos joelhos, esta técnica se denomina Rademacher. (filipina)
  2.  Posteriormente, o japonêsTsuruta, realiza a mesma técnica descrita com anterioridade, mas flexionando os cotovelos durante a tração (RODRÍGUEZ, 1997). 
No ano 1946 se introduzem duas novas técnicas diferentes: 

  1. por um lado a Braçada submarina,que consiste em nadar por embaixo do água, realizando três ou quatro braçadas que levam as mãos até a altura dos quadris; dita técnica foi proibida  regulamentarmente em 1957.
  2. E por outro lado a Braça-borboleta, consistente em realizar o recobro dos membros superiores por fora do água, os estilos se separam provisionalmente em 1949, produzindo-se sua separação definitiva em 1953 (REYES, 1998)
  3. Pouco depois, no ano 1961, substitui-se o ponta pé de tesoura por uma ação simultânea e simétrica, que é a que chega até nossos dias.
  4. A partir de 1980 convivem no tempo duas técnicas de nados diferentes, em primeiro lugar a chamada Braçada formal, utilizada pelos nadadores americanos, que se caracteriza por uma posição horizontal do corpo, e por realizar a inspiração obrigado a um movimento de flexo-extensão do pescoço; e em segundo lugar, a chamada  Braçada natural, que é mais utilizada pelos nadadores europeus, e que se caracteriza por uma posição mais oblíqua do corpo, bem como por um movimento de ascensão e descenso de ombros e quadril, para facilitar a realização da respiração (Maglischo, 2003).

Na atualidade, convivem estas duas técnicas de nado com a aparecida em1986, graças à supressão da norma regulamentar que proíbe afundar a cabeça durante o nado. 

A variação nasceu na Hungria, através do treinador Josef Nagy, a denominada Braçada onda, que se caracteriza por realizar um movimento ondulatório do corpo semelhante ao que se dá na borboleta com a intenção de colocar ao nadador "em cima" da onda que ele mesmo produz,bem como por um recobro aéreo do MS durante o nado (NAGY eURBANCHEK, 1989).

O  Borboleta

O estilo borboleta, na atualidade, pode-se definir como:
deslocamento humano no água caracterizado por uma posição ventral do corpo e movimento simultâneo e coordenado das extremidades superiores e inferiores, 
sendo o movimento das primeiras um ciclo de braçada simultanea completa e ondulação com batimento de pernas; com uma ondulação de todo o corpo que,coordenada com os membros superiores permite realizar a inspiração.
O borboleta nasce como variante da braçada do nado peito; o primeiro em utilizar esta variante foi o alemão Rademacher, na última braçada antes da virada e no reinício do nado (Rodríguez, 1997). 
No ano 1953, o peito e o borboleta se separam de forma definitiva. 
Começa-se realizando uma pernada diferenciada para o nado peito, mas é o húngaro Tempeck, o que introduz o batido de borboleta ou golfinho, que chega até nossos dias (Dubois e Robin, 1992).





BIBLIOGRAFIA
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Lado a Lado! Atletas olímpicos e paralímpicos de natação treinam juntos para os Jogos Olímpicos

Equipes olímpica e paralímpica da natação brasileira treinaram juntos no CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. 
Os atletas elogiaram a estrutura de preparação para a Olimpíada do Rio.

A equipe olímpica comandada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) está treinando no CT desde segunda-feira passada, após parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). 
O período de treinamentos serve como testes para os atletas. 
Já o time paralímpico se prepara diariamente no local, recém-inaugurado, com foco na Paralimpíada, que terá início em 7 de setembro/16.



Esta é uma iniciativa muito boa, pois temos a chance de ter contato com os profissionais da CBDA. 
Esta integração nos faz ter a chance de adquirir ainda mais conhecimento.
Em pouco tempo acontecerá a nossa aclimatação, e ter os melhores nadadores do olímpico com os melhores do paralímpico é uma oportunidade ótima — disse Leonardo Tomasello, técnico-chefe da natação paralímpica brasileira.

O grupo dos nadadores olímpicos permanece em São Paulo até  dia 2/08/16, quando partem para o Rio de Janeiro e darão entrada na Vila dos Atletas. 

Uma das principais referências da equipe, Joanna Maranhão elogiou a estrutura do CT Paralímpico e as condições que encontraram na capital paulista para os últimos preparativos.

— Achei esta estrutura sensacional. Agradeço ao Comitê Paralímpico Brasileiro por ter cedido este espaço para nós.
O desporto paralímpico brasileiro é referência no mundo todo.
Somos campeões e estamos no topo há muito tempo no esporte adaptado e devíamos um CT como este aos seus atletas — disse a nadadora.

O elenco brasileiro da natação para os Jogos Paralímpicos contará com 32 atletas (19 homens e 13 mulheres). 
Já em sua versão olímpica, o time verde e amarelo contará com 33 nomes. 
Em ambos os casos, as delegações contam com medalhistas em Jogos e em Mundiais.

Esses Jogos Prometem!!

domingo, 31 de julho de 2016

O Brasil trará Medalhas na Natação? Façam suas Apostas!!

Estamos na reta final para o maior evento esportivo do Ano para a natação Mundial, Jogos Rio 2016.
As estratégias  para obter bons resultados e ferramentas tecnológicas até então não muito utilizadas:
Banho de luz(afim de atrasar o relógio biológico, a maioria das provas serão a noite),
  Crioterapia (método de resfriamento corporal), 

actigrafia (método de monitoramento do ciclo atividade-repouso), questionários e as análises destes dados. 
Todo esforço é válido na busca  pela medalha.
Apesar de o grupo ser formado por atletas em evolução, que atingirão seu ápice em Tóquio 2020, é possível sonhar com a conquista de medalhas .
Nadadores experientes, como  Thiago Pereira e a Joanna Maranhão são as principais apostas.   
A Federação Internacional de Natação (Fina) divulgou a lista completa dos atletas inscritos para a Olimpíada do Rio de Janeiro.
 No total, 906 nadadores de 172 países diferentes disputarão o torneio olímpico, números superiores aos de Londres 2012. 
A delegação brasileira terá 33 atletas, um recorde na história da natação do país, sendo 22 homens e 11 mulheres.
No geral, de acordo com as informações da Fina, estão inscritos 489 nadadores para as provas masculinas e 417 nadadoras para as provas femininas. A natação na Olimpíada do Rio de Janeiro ocorrerá entre os dias 6 e 13 de agosto, no Estádio Aquático do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, e será responsável por distribuir 96 medalhas aos atletas.
A grande expectativa da natação no Rio 2016 será Michael Phelps.

 O norte-americano é o recordista de medalhas olímpicas, com 22 conquistas, sendo 18 de ouro.
 Phelps está inscrito para as provas dos 100m e 200m borboleta e dos 200m medley e ainda pode ser incluído nos revezamentos dos Estados Unidos.
Em relação ao Brasil, os destaques são Bruno Fratus (50m livre), 
Thiago Pereira (200m medley)
 e Felipe França (100m peito). 
Entre as mulheres, se destacam Etiene Medeiros (50m livre, 100m livre, 100m costas e 4x100m livre) e Joanna Maranhão (200m medley; 400m medley e 200m borboleta).
Maranhão, por sinal, ganhou vaga nos 200m borboleta, prova que inicialmente não competiria. Outra atleta que recebeu uma boa notícia foi Manuella Lyrio (100m livre, 400m livre, 4x100m livre e 4x200m livre), que nadará os 400m livre.
Etiene Medeiros, que recentemente foi flagrada em exame antidoping e absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi inscrita nas três provas em que alcançou índice nas seletivas, os 50m e os 100m livre, bem como os 100m costas. 
A nadadora ainda espera uma posição da Fina sobre o caso. A entidade que comanda a natação mundial pode discordar do parecer do STJD e recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), colocando em risco sua participação na Rio 2016.

Veja os atletas da natação brasileira inscritos para o Rio 2016:
Masculino

Bruno Fratus (50m livre)
Ítalo Manzine (50m livre)
Marcelo Chierighini (100m livre, 4x100m livre e 4x100m medley)
Nicolas Oliveira (100m livre, 200m livre, 4x100m e 4x200m livre)
João de Lucca (200m livre e 4x100m livre)
Matheus Santana (4x100m livre)
Gabriel Santos (4x100m livre)
André Pereira (4x200m livre)
Luiz Altamir (400m livre, 4x200m livre)
Brandonn Almeida (1500m livre e 400m medley)
Miguel Valente (1500m livre)
João Gomes Jr (100m peito e 4x100m medley)
Felipe França (100m peito)
Tales Cerdeira (200m peito)
Thiago Simon (200m peito)
Guilherme Guido (100m costas e 4x100m medley)
Leonardo de Deus (200m costas e 200m borboleta)
Kaio Marcio (200m borboleta)
Henrique Martins (100m borboleta e 4x100m medley)
Marcos Antônio Macedo (100m borboleta)
Henrique Rodrigues (200m medley)
Thiago Pereira (200m medley)
Feminino

Etiene Medeiros (50m livre, 100m livre, 100m costas e 4x100m livre)
Graciele Herrmann (50m livre)
Larissa Oliveira (100m livre, 200m livre, 4x100m livre e 4x200m livre)
Jessica Bruin (4x200m livre)
Gabrielle Roncatto (4x200m livre)
Manuella Lyrio (200m livre, 4x100m livre e 4x200m livre)
Daiene Dias (100m borboleta)
Daynara de Paula (100m borboleta e 4x100m livre)
Joanna Maranhão (200m medley; 400m medley e 200m borboleta)
Jhennifer Conceição (4x100m medley)
Natalia de Luccas (4x100m medley)
A Arena da Disputa
O Estádio Aquático erguido para os Jogos Olímpicos não terá refrigeração na área de competição e nas arquibancadas. 
A previsão para as 22h, quando começarão as finais, é de 18º C.

O calor é um dos pontos negativos apontados pelos atletas durante o evento-teste, realizado na segunda quinzena de abril.
Parte do problema foi sanado. Segundo o comitê organizador da Rio-2016, as áreas internas que serão usadas pelos nadadores terão ar condicionado. No evento-teste, a refrigeração era feita com ventiladores.

sábado, 30 de julho de 2016

Natação Melhora a Qualidade de Vida de Pacientes com Fibromialgia.

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que a natação é tão eficaz quanto a caminhada na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida de pacientes com  fibromialgia.

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Os resultados do ensaio clínico randomizado foram divulgados na revista Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, editada pela American Congress of Rehabilitation Medicine.
A atividade física está em todas as diretrizes de tratamento da fibromialgia e o que comprovadamente traz mais benefícios são os exercícios aeróbicos de baixo impacto. 
Mas nem todo mundo gosta ou pode fazer a mesma atividade física, então nosso grupo tem testado alternativas”, contou Jamil Natour, professor da Disciplina de Reumatologia da Unifesp e coordenador da pesquisa apoiada pela FAPESP.
Em um artigo publicado em 2003 no The Journal of Rheumatology, a equipe de Natour havia mostrado que a caminhada é melhor que o alongamento não apenas para reduzir a dor como também para melhorar a depressão e outros aspectos emocionais de pacientes com fibromialgia – além de, como esperado, aumentar a função cardiorrespiratória.
Já em um estudo de 2006, divulgado na revista Arthritis & Rheumatism, o grupo mostrou que a corrida aquática também era uma boa opção para o tratamento da doença.
A natação ainda não havia sido avaliada com o devido rigor científico e, neste ensaio clínico, apresentou resultados tão bons quanto os da caminhada, que tem benefícios comprovados.
Pode ser uma opção mais interessante para uma pessoa que, além de fibromialgia, tem artrose no joelho, por exemplo”, avaliou o pesquisador.

O estudo foi feito com 75 mulheres com fibromialgia e com idade entre 18 e 60 anos.
Todas eram sedentárias no início da avaliação.
Foram aleatoriamente divididas em dois grupos: 
  • 39 submetidas a um treino de natação durante 12 semanas
  • e outras 36, a um treino de caminhada moderada pelo mesmo período.
As sessões de atividade física eram realizadas três vezes por semana, com acompanhamento de profissionais da área de educação física, e duravam 50 minutos. 
O trabalho foi feito durante o mestrado de Giovana Fernandes, orientanda de Natour.
Antes do início do treinamento, e após as 12 semanas, as voluntárias passaram por diversas avaliações. 
O nível de dor foi medido por meio de uma régua numérica que varia de 0 a 10 centímetros (cm). 
Cada paciente dava uma nota para o nível de dor que estava sentindo no momento.
  • No grupo submetido a caminhada, em média, o nível de dor caiu de 6,2 cm para 3,6 cm
  • Enquanto no grupo que treinou natação os valores foram de 6,4 cm para 3,1 cm. 
Segundo Natour, é considerada clinicamente relevante uma redução de pelo menos 2 cm na escala de dor.
Já a qualidade de vida foi avaliada por dois questionários clinicamente validados, sendo um específico para pessoas com fibromialgia (FIQ – Fibromyalgia Impact Questionnaire) e outro de uso na população em geral (SF-36 – Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey).

Melhoras estatisticamente significativas foram encontradas em todas as oito subescalas do SF-36 em ambos os grupos. 
No aspecto interação social, por exemplo, a pontuação saltou de 56 para 80 no grupo que praticou natação e de 52 para 72 no grupo caminhada.

No quesito saúde mental, o grupo natação passou de 55,7 para 68, enquanto o grupo que exercitou caminhada foi de 51,1 para 66,8. 
O escore varia de 0 a 100 pontos, sendo que, quanto maior a pontuação, melhor a qualidade de vida da pessoa avaliada.
A melhora nos resultados no questionário FIQ foi equivalente nos dois grupos, bem como o resultado da análise ergoespirométrica – que mede o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) e o limiar anaeróbico (LA).
Tratamento multimodal
Conforme explicou Natour, pacientes com fibromialgia apresentam uma amplificação dolorosa, decorrente de uma falha no sistema que transmite e modula os estímulos nervosos que vão da periferia do corpo até o cérebro.
“Um simples cutucão na perna ou apertão no braço do fibromiálgico pode ser interpretado como um estímulo doloroso. Além dessa amplificação dolorosa, esse paciente também pode ter dor espontânea. É característica da doença uma sensação de dor difusa, sem explicação anatômica, e que perdura por pelo menos três meses”, explicou o pesquisador.
O problema é cerca de 10 vezes mais comum em mulheres do que em homens e pode ser incapacitante.
Além da dor, os portadores costumam sofrer com :
  • distúrbios de sono
  • redução nos níveis de serotonina (neurotransmissor importante para a regulação do humor)
  • alterações no sistema nervoso autônomo, que controla a contração de vasos e o batimento cardíaco, entre outras coisas.
O conjunto de sintomas impacta fortemente a qualidade de vida de pessoas nessa condição.
“Muitas vezes, o paciente não tem nenhum defeito anatômico, como artrose, mas tem um comprometimento até mais grave na qualidade de vida e na função do que as pessoas com doenças articulares.
Alguns estudos compararam a situação de pessoas com fibromialgia com portadores de espondilite anquilosante ou artrite reumatoide, ambas doenças deformantes articulares. 
Além disso, cerca de 30% dos fibromiálgicos também apresentam depressão”, disse Natour.

Na avaliação do pesquisador, por acometer cerca de 5% das mulheres, a doença representa um relevante problema de saúde. “Mas como não mata, acaba aparecendo pouco nas estatísticas governamentais”, disse.
O consenso entre os especialistas atualmente é que o tratamento da fibromialgia deve ser multimodal, ou seja, aliar medicamentos para dor crônica e antidepressivos com exercícios físicos e o controle de doenças concomitantes, como artrose, que podem ser fonte de dor.
“O tratamento com medicamento, na maioria das vezes, não controla a dor por completo e pode ter efeito passageiro”, disse Natour.
Em relação aos exercícios físicos, acrescentou o pesquisador, há mais evidências dos benefícios de atividades aeróbicas, embora exercícios de força também possam apresentar bons resultados.
 Na opinião de Natour, devem ser evitadas modalidades que possam causar dor.
“Lutar boxe não me parece uma boa ideia. Não tem nenhum estudo mostrando isso, mas é uma questão de bom senso”, opinou.


terça-feira, 26 de julho de 2016

Suspensão de País nos Jogos Olímpicos? Isso já aconteceu...

O FATO NÃO INÉDITO
Um país não ser convidado para os Jogos Olímpicos não é novidade, Alemanha e Japão foram deixados de fora dos Primeiros Jogos pós Guerra em 1948 em Londres, na Grã-Bretanha, assim como a África do Sul e sua política de Apartheid lhe afastaram de 1960 a 1992, o Afeganistão foi punido nos Jogos de Sydney em 2000 em defesa das mulheres e a política de discriminação imposta pelo regime do Talibã.
Outros países como Áustria, Hungria, Tuquia e Indonésia, também já foram deixados de fora por razões diversas.
Mas o caso de doping da Rússia ganhou elementos dignos de um bom romance policial, com drama, suspense, romance e acreditem suspeita de homicídio.
Vamos aos elementos:
PAÍS:  RÚSSIA

A luta contra o doping segue firme e forte.  Além do atletismo da Rússia, já afastado do Rio 2016, seguem investigações contra Quênia e Etiópia. O levantamento de peso da Bulgária pelo número de casos positivos também já está fora da Olimpíada no Rio de Janeiro.
PERSONAGENS DA TRAMA
Vitaly Stepanov –

Funcionário da RUSADA e marido da atleta Yulia Stepanova.
Foi o principal delator do esquema nacional e oficial de dopagem do atletismo russo. Fugiu da Rússia para a Alemanha e hoje mora nos Estados Unidos com a esposa. Suas denúncias foram apresentadas em entrevistas, mas acompanhadas de vídeos, gravações, emails e cópias de texto de mensagem comprovando o esquema de doping oficial.

Yulia Rusanova Stepanova –

Corredora de 800 metros da Rússia, medalhista no Campeonato Mundial suspensa por doping em 2013 por dois anos após confirmada alterações no seu passaporte genético. Junto com o marido, se tornou em figuras destacadas nas delações do esquema de doping para TV alemã ARD. Aguarda definição do COI para competir de forma independente no Rio pois já tem marca classificatória para a sua prova e seus testes indicaram resultados negativos.

Hajo Seppelt –
Jornalista alemão responsável pelo documentário que gerou no início da investigação pelo COI em 2014 na TV alemã ARD.
Grigory Rodchenkov –
Ex-diretor do laboratório da RUSADA, apresentou denúncias ao jornal americano New York Times revelando esquema de perda e falsificação de resultados nos Jogos Olímpicos de Inverno em 2014. No seu depoimento, 15 medalhistas russos em Sochi tiveram troca de seus testes para evitar os resultados positivos. Dois de seus companheiros de diretoria foram encontrados mortos.
Nikita Kamaev –

Ex-diretor da RUSADA misteriosamente encontrado morto aos 52 anos em fevereiro passado. Segundo os jornais The Times da Grã-Bretanha e Frankfurter Allgemeine da Alemanha teria, junto com Grigory Rodchenkov, oferecido a Federação de Natação da Rússia, uma proposta para camuflar os testes dos nadadores da seleção nacional em troca de um suborno de 3 milhões de rublos anuais (145 mil reais). A proposta foi recusada pela Federação de Natação da Rússia.

Vladimir Putin –
Presidente da Rússia desde maio de 2012 em seu segundo termo depois de presidir o país de 2000 a 2008. Não aceita a suspensão do atletismo de seu país e promete apelar a todas as possíveis cortes internacionais.
Vitaly Mutko –
Ministro do Esporte da Rússia, declarou revolta com a decisão da IAAF e alega que o país vinha fazendo as necessárias e providenciais ações no controle e organização do sistema anti-dopagem do país. Promete levar o caso ao Tribunal da Corte Suprema.
Alexander Zhukov –
Economista russo, graduado em Harvard nos Estados Unidos, político de destaque é membro da Câmara Nacional, conhecida como Duma, além de Presidente do Comitê Olímpico Russo. 
Richard Pound –
Advogado canadense, ex-nadador olímpico (1960), ex-Presidente da WADA, atual Diretor Internacional do Comitê Olímpico Internacional e que anunciou uma possível não participação de todos os esportes da Rússia nos Jogos do Rio 2016. Tal decisão seria “uma bomba atômica” segundo suas próprias palavras, mas relacionadas as denúncias de trapaça nos exames anti-doping realizados nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi 2014.
John Coates –
Advogado australiano, Presidente do Comitê Olímpico Australiano e vice Presidente do Comitê Olímpico Internacional. Figura de destaque e influência no esporte mundial. Declarou que a agência de controle anti-dopagem russa está “podre até a base”. Recebeu uma resposta do Twitter da RUSADA a tal polêmica declaração. Coates foi o mesmo que declarou há alguns anos “as preparações para os Jogos do Rio 2016 são as piores da história”.
Natalia Zhelanova –
Assessora do Ministro do Esporte da Rússia Vitaly Mutko e responsável pela implementação nas reformas do programa de controle anti-dopagem no país. Fez um apelo público ao COI para rever a decisão tomada pela IAAF em benefício dos atletas limpos não tenham de pagar pelos que jogaram sujo no processo.
ENTIDADES
IAAF –
International Association of Athletics Federation é a Federação Internacional de Atletismo com sede no Principado de Monaco e que determinou a suspensão do atletismo da Rússia em novembro de 2015 e confirmou a manutenção da suspensão na sexta-feira em decisão unânime do seu Comitê Executivo.
WADA –
World Anti-Doping Agency é a Organização Mundial de Controle Anti-Dopagem localizada em Montreal, no Canadá. A entidade apresentou ao IAAF um relatório quando faltavam dois dias para o anúncio da decisão referente a suspensão da Rússia. No relatório, a entidade revelou que 73 dos 455 testes feitos em atletas russos não puderam ser coletados, 7336 testes foram negados ou cancelados, 23 coletas desapareceram e 52 casos positivos na modalidade do atletismo.
COI –
Comitê Olímpico Internacional, entidade que regula o esporte olímpico se reunirá nesta terça-feira em Laussanne, na sua sede, para homologar a decisão aplicada pela IAAF. A entidade ainda irá deliberar como será o processo de seleção dos atletas “limpos” que poderão competir nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 sem a bandeira ou o hino russo.
FINA –
Federação Internacional de Natação, localizada em Lausanne, na Suiça. Entidade divulgou uma nota oficial indicando preocupação com o problema de doping do atletismo russo além do esquema de possível suborno para atletas da Seleção de Natação não serem testados para o controle anti-doping. A entidade garantiu que seguirá o processo de controle dos 10 melhores nadadores do mundo em todas as provas. Um total de um milhão de dólares foi investido neste movimento em 2016.Comunicou que sete atletas da delegação da Rússia não se enquadram na lista apresentada pelo COI e dessa forma estão fora da Olimpíada.
FINA manteve suspensão de Efimova – Divulgação/FINA
RUSADA –
Agência Nacional de Controle Anti-Doping da Rússia, entidade que tem seu principal laboratório descredenciado pela WADA além de inúmeras acusações de impedir a legitimidade dos testes.
GOVERNO DA RÚSSIA –
O país sofre com o drama de doping. É o maior país do mundo e nos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia, promoveu os Jogos mais caros da história com 51 bilhões de dólares.