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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Canal da Mancha: a travessia aquática Fama e Superação





 
O famoso Canal da Mancha, na verdade, é um braço de mar formado pelo Oceano Atlântico e que separa os dois grandes países europeus. 
O canal é conhecido não apenas pelo seus aspectos geográficos, políticos e econômicos, é reconhecido também por ser cenário de intrépidas travessias de corajosos nadadores.


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O primeiro a se lançar nas águas do canal e atravessá-lo a nado foi um capitão da marinha mercante britânica. 
Matthew Webb cruzou o percurso de 33 km entre a cidade de Dover,
na Inglaterra, e Calais, na França, em 21 horas e 45 minutos. 
A travessia, sem colete salva-vidas ou qualquer subterfúgio,
aconteceu em agosto de 1875.
Webb, devido as fortes correntes marítimas,
foi obrigado a nadar 61 quilômetros, praticamente ziguezagueando
o percurso aquático para atingir a costa francesa.


As correntes marítimas do canal fazem com que a travessia seja uma maratona 
de suma estratégia. Freqüentemente, 
é necessário que o desafiante nade em direção oposta a que pretende chegar.


Atualmente, as travessias do Canal da Mancha duram, em média, dez horas. 
localizado entre a França e Inglaterra, em toda a sua extensão (47,1 quilômetros).


Entre os brasileiros que já passaram por esta aventura 
destaque para os nadadores Abílio Couto, em 1958 - em 1959 
ele cruzou o canal outras duas vezes - , Kay France, em 1970 e Dailza Damas Ribeiro em 1992. 

PORQUE ATRAVESSAR O CANAL DA MANCHA A NADO?

A resposta a esta pergunta depende fundamentalmente do perfil da pessoa que a responde:
Um atleta, no auge de seu vigor físico e desportivo responderia que deseja demonstrar para si mesmo que é capaz de mais este feito.

É como se tratasse de seu maior troféu em uma estante já abarrotada de vitórias.
Mas o que dizer de um executivo, workaholic de quarenta e um anos, 
portanto não mais no melhor de sua forma física, que trabalha catorze horas por dia em média, profundamente envolvido com as metas de sua empresa, positivamente estressado em seus afazeres que se propõe a tal feito?
Só há uma resposta: o desafio.


Desafio pelo feito único.
Desafio pela falta de tempo.
Desafio pela condição sine qua non de mudança de hábitos de vida.
Desafio de coroar uma vida desportiva truncada pelo trabalho logo aos quinze anos de idade.
Desafio para gerar o exemplo de vida.
Desafio por fazer o que se gosta, de modo inovador.


BRASILEIROS NO CANAL DA MANCHA
Em ordem cronológica.
Azul: Inglaterra-França
Verde: França-Inglaterra







1958 e 1959 (duas vezes)
12h45m, 12h49m e 11h33m
ABÍLIO COUTO
(In memoriam)




Abaixo: Primeira travessia de Abílio, 1958,da França para a Inglaterra ( Couto's first crossing ,from France to England , 1958)

Abaixo: Segunda travessia, 29 de Setembro de 1959, Inglaterra para a França, Recorde mundial ( Couto's second crossing, Setember 29, 1959, from England to France, world record)















1979
11h36m

KAY FRANCE
http://fcbtri.files.wordpress.com/2008/11/foto104047_r1_ch640_cv480.jpg





1989
13h47m

ROGÉRIO LOBO







1992 e 1995
19h16m e 10h48m

DAILZA DAMAS RIBEIRO








1993
9h40m

ANA MESQUITA







1994
12h14m

JOSÉ RODINI









1996 e 1997 (ida e volta)
11h06m e 18h33m (9h31m+9h02m)

IGOR DE SOUZA







2001
10h14m

CHRISTIANE FANZERES

http://www.bestswimming.com.br/2005/christianefanzeres.jpg





2003
10h45m

PERCIVAL ORLANDO MILANI







2004
11h21m


MARCELO AUGUSTO LOPES







2006
12h14m

MARTA IZO







2007
13h49m

PAULO MAIA



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Alongar antes de Nadar ajuda ou atrapalha ?

http://www.estadao.com.br/fotos/michaelphelps_natacao_14042008.jpg 
Alongar antes de Nadar ajuda ou atrapalha?
Esse assunto inflama discussões em todas as modalidades esportivas e não é diferente nas atividades aquáticas.
Uma pesquisa não tão recente (2008) , Comprova: alongar antes de atividades cíclicas aeróbias (correr, nadar, dançar) nada ajuda e até prejudica.
As conclusões são de um estudo da Universidade de Nevada (EUA), confirmando que o alongamento feito imediatamente antes de começar a atividade não previne lesões, nem melhora a performance.
E a nova pesquisa ainda mostra que o alongamento nesse momento chega até a prejudicar, ao reduzir a capacidade de força.
Boa parte dos nadadores, orientados ou não por treinadores, ainda tem esse hábito, pois essa questão é bastante divergente e gera certa polêmica.
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Qual é o Público
Na verdade na Natação existem públicos distintos.
Os popularmente chamados de “Atletas da água ”, que gostam de "pegar" muito pesado onde a maioria segue orientação criteriosa de seus professores e as pessoas que procuram na atividade física a qualidade de vida e/ou performace , pode utilizar a natação como complemento de um esporte que pratique.
Existe o nadador "Bumerangue", nada apenas durante o verão, gosta de nadar porém alongamento ou aquecimento não diferencia seu treino, utiliza a atividade para melhorar a qualidade vida e não pensa em performance.
Já o Nadador "Terapêutico" , normalmente nada por orientação médica, busca melhorar ou estabilizar alguma patologia, seu maior erro é achar que inovações ou exercícios diferentes não lhe acrescentam em nada, alongamento ou aquecimento normalmente não executado por esse público, sua frase chave é: ' eu não estou aqui para competir'.
O Nadador " Aprendiz", iniciou a pouco tempo a prática da natação , a confiança não seu ponto forte, porém a determinação diferencia esta tribo, Faz o que o instrutor manda ou oque foi aprendido anteriormente quanto aquecimento ou alongamento.
O Nadador "Relaxado", sabe nadar nem sempre com a técnica mais adequada mas nada, normalmente repete a mesma série em todos os treinos, alguns alongam pois aprenderam no passado, porém não se nota aquecimento ou diferenciamento no rítmo inicial e final no transcorrer do treino. Sua màxima è: 'eu vim para relaxar'.
Você pode pertencer a vários grupos  ao mesmo tempo.
http://www.gizelemonteiro.com.br/wp-content/uploads/2009/08/imagem1.jpg
Essa questão de alongamento principalmente antes é discutível. 
Na prática o “atleta” aquece com o próprio exercício pegando leve antes de começar a série principal e dá certo. 
O nadador aquece nadando, o futebolista batendo bola e assim por diante e tem fundamento.
Para o aquecimento existe consenso na literatura e na prática indicando como benefícios mais evidentes o aumento da temperatura muscular, da elasticidade dos tecidos, do débito cardíaco, melhora do metabolismo energético, sistema nervoso central e recrutamento das unidades motoras.
Porém essa solicitação de fibras ocorre despêndio e a perda de "força", por isso alguns profissionais alegam que força e alogamento são opostos.
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Aquecimento ou Alongamento?
Existem trabalhos comparando protocolos de aquecimento com alongamento, aquecimento aeróbio (corrida na esteira ou pedalar na bicicleta ergométrica) e aquecimento específico no próprio aparelho antes de um teste de Repetição Máxima.
Os avaliados que fizeram aquecimento específico tiveram melhor desempenho na mobilização de carga. 
Significa dizer que o aquecimento é mais importante que o alongamento.
Agora, tal como na corrida o alongamento depois pode ser feito desde que não seja "puxado", somente a título de relaxar, pois as fibras musculares já estão cansadas e o alongamento explorando o máximo da flexibilidade pode realmente gerar lesão.
Oque buscamos no relaxamento após treino é bem estar, relaxar as musculaturas solicitadas.
Tanto o corredor como o “Alteta H2O” precisam de flexibilidade para que o músculo responda melhor na hora do exercício principal e o desenvolvimento da flexibilidade se dá com o exercício de alongamento, mas deve ser feito numa aula de alongamento específica em seção separada da rotina de exercícios.
http://amadeo.blog.com/repository/1072345/2577887.jpg
A Diferença de Flexibilidade e Alongamento
Em primeiro lugar vamos relembrar as diferenças:
“Flexibilidade é a amplitude máxima de um movimento em uma ou várias articulações combinadas” e o alongamento é o exercício destinado a desenvolver essa capacidade.
Cada atividade física existe um nível ótimo de flexibilidade de acordo com as exigências motoras da própria atividade e a musculação também tem.
Sendo assim, é de se supor, por exemplo, que a ginástica Olímpica e o salto em altura exijam um grau de flexibilidade e amplitude maior que a corrida, a caminhada e assim por diante. 
Um músculo flexível responde melhor ao ato motor desejado. 
Ou seja, o corredor corre mais fácil, o nadador nada melhor e a hipertrofia muscular também responde melhor.
Existe ainda, a diferença entre o alongamento e flexionamento defendido em tese de mestrado por Dantas referindo-se à intensidade do alongamento, respectivamente grau submáximo e máximo.
Ou seja, na linguagem popular “forçar” mais ou menos de acordo com o objetivo.
http://www.autenticavida.com.br/arquivos/alongamento2.jpg
O alongamento e o flexionamento provocam diferentes respostas fisiológicas para cada objetivo
Em síntese, o alongamento simples, sem flexionamento, até pode ser utilizado durante o aquecimento e na volta à calma encontrando inclusive respaldo na literatura e principalmente na prática.
O nadador que vai iniciar a sua atividade antes aquece e, dá uma “alongadinha básica” leve somente nos braços. 
Dizem eles: “Pra soltar”. Na verdade muitos defendem que fatores psicológicos e culturais estão envolvidos neste ato, pois ele se sente mais seguro.
O corredor também faz isso.
É aquela puxadinha na perna para trás para alongar o quadríceps, uma “esticadinha” na passada e só. 
Nada de ficar fazendo alongamento estático que é um movimento contrário ao que virá a seguir.
Já no caso da musculação já existe entre os praticantes certa resistência contra a prática do alongamento antes.
Existem bons trabalhos citando que o alongamento antes da musculação não promove qualquer benefício na prevenção de lesões e isso hoje vale para qualquer modalidade.
A tese que reforça esse posicionamento diz que o alongamento forçado (flexionamento) antes da atividade deve ser evitado, porque inibe os receptores musculares, tendinosos e articulares responsáveis pela segurança até elevando o risco de lesão ao invés de prevenir. 
Além disso diminui o potencial de força necessária na atividade. 
Esses receptores são chamados de Órgãos Tendinosos de Golgi recrutados no flexionamento, mas não no alongamento simples ou submáximo. 
O alongamento dinâmico simples e bem leve junto com o aquecimento antes pode ajudar a relaxar e/ou preparar os músculos diminuindo sua viscosidade, mas é dispensável.
Depois da atividade tem a função de recuperar desde que seja simples sem flexionamento.
http://amadeo.blog.com/repository/1072345/2577887.jpg
Sem complicar muito, o ato de espreguiçar, e que todo mundo faz, é uma necessidade natural e inerente aos seres vivos. 
Até os animais fazem isso. Observe o seu cão. “Antes” de qualquer movimento o corpo sente a necessidade de alongar e isso também pode ser válido antes de “treinar pesado”.
O músculo vai precisar de um mínimo de amplitude útil para executar o movimento. Isso me parece lógico, mas não tem pesquisa que prove isso. 
Usando o cão como exemplo quando ele está lá quieto e pressente algum perigo ele ataca sem alongar e nem por isso tem algum problema. 
Voltando aos seres humanos cada aluno de natação tem o seu jeito de trabalhar com diferentes tipos de treinos (velocidade, resistência, força, relaxamento).
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Fazer alongamento depois da natação ou de qualquer exercício é sempre proveitoso não faltando trabalhos sobre esse assunto e na prática basta perguntar aos adeptos.
A resposta é simples. “Faço porque me sinto bem e não costumo sentir dores musculares no dia seguinte”.
Na prática não conheço casos de pessoas lesionadas por fazer alongamento simples depois da natação, mas antes realmente não existe consenso na literatura.
Vale à pena utilizar um antigo ditado popular: “time que está ganhando não se mexe”.
Qualquer atividade física, seja ela qual for, exige uma mobilidade articular mínima. 
O sujeito sedentário quando passa a praticar um exercício qualquer começa a forçar naturalmente novos limites de amplitude, por vezes à custa de pequenas  dores aqui e outra ali.
A natação aumenta a flexibilidade articular de quem já tinha alguma limitação pela falta de uso.
Muitas vezes não é o exercício que lesiona e sim a execução sem orientação profissional.
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Como Desenvolver a Flexibilidade

Flexibilidade depende de fatores ósseos, musculares, tendinosos, da cápsula articular, da gordura e da pele.
Dentre esses fatores os mais importantes são a cápsula articular contribuindo com 47% e os músculos com 41%.
Algumas pessoas têm mais tecido chamado de colágeno que não são elásticos e por isso sentem mais dificuldades.
Claro, a flexibilidade também está associada ao sexo, a idade, a lateralidade corporal, à hora do dia e aquecimento.
As mulheres e as crianças são normalmente mais flexíveis e o destro costuma ter o lado direito melhor do que o esquerdo por razões óbvias.
Existem nados que requerem maior flexibilidade como o nado de Peito.
Apesar de todos os nados solicitem e estimulem aumentar a flexibilidade, situações extremas levam a erros posturais e má aplicação de alavancas durante o nado.
http://roxanabrasil.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/hist%C3%B3ria_natacao.jpg 
Dicas de alongamento na Natação
1) Cada um tem o seu limite.
Não tente "forçar a barra".
A amplitude deve ir até onde se sinta bem ou leve dor suportável;
2) A maioria das pessoas tem o peitoral, lombar e posteriores de coxa encurtados.
Deve-se dar preferência por alongamentos que trabalhem essas regiões e/ou os grupos musculares que notadamente sejam deficientes.
3) Os alongamentos devem incluir os grupos musculares trabalhados na atividade diária principal e/ou do gesto esportivo.
4) A escolha do método deve priorizar a necessidade e preferência do indivíduo.
Todos têm as suas vantagens e não existe pesquisa conclusiva mostrando ser um método melhor que outro.
Depende da necessidade, do fundamento e para quem é o trabalho.
5) A musculatura agônica e antagônica deve ser trabalhada a fim de proporcionar um desenvolvimento harmônico da amplitude do movimento. Não adianta nadar apenas um nado intensamente e não compensar a musculatura . Por mais que você odeie nadar Costas ainda é a melhor solução.
6) Uma aula de alongamento objetivando a flexibilidade deve ser separada da natação e de forma global levando de 30 a 40 minutos.
7) Como qualquer outra atividade física o alongamento deve partir do prazer individual.
8) Alongamento e natação só combinam se uma atividade não atrapalhar a outra.
http://www.atribunamt.com.br/wp-content/images/imagens_do_dia/28-03-07/Adolescente%20pratica%20natacao%20-%20esporte%20-%20cor.jpg
Para uma bom Treino de Natação:
1) Deve-se ter em mente o objetivo.
Para que e porque fazer.
2) Antes de começar, como toda atividade física, deve-se fazer avaliação médica e funcional.
3) Estabelecidos os objetivos converse com o professor sobre sua preferência dos exercícios destinados a determinados músculos.
Existem muitos exercícios, formas de execução e métodos para cada grupo muscular.
4) Se vai fazer só natação prefira aquecer com o próprio exercício nade leve no início aumento o rítmo gradativamente até a série principal.
5) O alongamento antes não acrescenta nada, mas não é proibido fazer. Só faça se achar conveniente ou por estar acostumado por conta de vício já adquirido.
6) Respeite a planilha usando as cargas, séries e intervalos corretos. Se precisar fazer qualquer alteração converse com o professor.
7) Comunique-se! Fale com seu professor elimine suas dúvidas sobre o trabalho a ser desenvolvido, informe qualquer alteração. Faça  o exercício corretamente, não se intimide pergunte se está certo, sua segurança é importante, sem seguir regras de ergonomia você pode se  machucar.
8) Use sempre o bom senso.

A polêmica continua, o negócio é acompanhar as evoluções e verificar se possível aplica-las ou não nem sempre oque é citado em algum estudo é a verdade de todos.



Bibliografia:

1) ACHOUR JÚNIOR, Abdallah. Flexibilidade e alongamento: saúde e bem estar. Barueri:
Manole, 2004.
2) BOMPA, T; CORNACCHIA, L. Treinamento de Força Consciente. Phorte, 2000
3) Dantas, Estélio H. M. , 1950 - Alongamento e flexionamento/ Estélio H. M. Dantas - 5. Ed. - Rio de Janeiro : Shape, 2005.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prevenção de Lesões na Natação‏

A julgar pelas estaticas oficiais, a natação é, neste momento, a segunda modalidade desportiva mais praticada no nosso país.
http://www.gizelemonteiro.com.br/wp-content/uploads/2009/09/mariana-brochado-natacao.jpg
Esta situação pode ser relacionada com aspectos culturais, fundamentalmente ao nível dos países desenvolvidos, onde o saber nadar é o corolírio lógico de uma política desportiva.
Para tal muito tem contribuído a construção de novas piscinas e a incentivo da prática da modalidade, a todas as faixas etárias da população.
Na realidade, trata-se de uma modalidade desportiva não traumática e, quando convenientemente orientada, de grande valor profiláctico e terapêutico.
No entanto, apesar dos evidentes e inquestionáveis benefícios inerentes a natação de lazer e terapêutica, a prática competitiva, particularmente nas faixas etárias mais baixas, pode repercutir-se negativamente na integridade física do jovem, situação que urge evitar através de uma metodologia de intervenção que inclua o fator prevenção.

A prática da natação de competição inicia-se precocemente.
É comum encontrarmos nadadores de grupos de idade, entre os 10 e 12 anos, sujeitos a elevados volumes de treino.
http://lh4.ggpht.com/_kFnM48QKhdk/Sibzm9amGCI/AAAAAAAAAO0/Ervz2N15j8A/s512/DSC00103.JPG
A Medicina Desportiva deverá abranger os diferentes escalões etários, não deixando de execer a sua ação preventiva nos nadadores mais jovens, pois que é no treino de base que se criam as condições de instalação das disfunções específicas resultantes da prática de natação de competição.
Reforçamos a ideia de atuação no treino, pois que é no treino que se encontra a origem da quase totalidade dos casos clínicos, ao contrário de outras modalidades onde a prevalência de lesões se relaciona com a competição.
Características principais da modalidade
A natação é considerada uma modalidade de "resistência".
Para o desenvolvimento das suas diferentes formas de manifestação, solicita-se ao praticante a realização de tarefas que acarretam considerável volume de treino.
Numa fase de treino de base, o jovem pode ser levado a nadar 5000 metros/dia, volume este que chega a atingir, em alguns casos, 15000 metros numa fase de nadador adulto.
Como exemplo a vida média de um nadador comum de competição, podemos afirmar que, em termos aproximados e sem corrermos o risco de exageros, permanece 4000 horas na água e percorre uma distância vizinha de 8000 quilometros.
Se é certo que o organismo possui capacidades adaptativas, sendo a otimização e potenciação destas capacidades a principal função do treino, não é menos certo que para a sua objetivação muito concorre a qualidade da orientação técnica, onde a prevenção dos desvios é normalidade deverá ocupar papel fundamental.
Esta, deverá ser equacionada a dois níveis:
  • a sobrecarga morfo-funcional provocada pelo treino e competições
  • e as resultantes do meio em que se realiza a prática desportiva, neste caso o meio aquático.
http://www.terra.com.br/esportes/beijing2008/fotosg/080815/natacao_getty.jpg
Caracteristicas da diferentes técnicas de nado
Embora de forma muito breve, passaremos a referi-las por nos permitirem estabelecer algumas relações causa/efeito entre determinados tipos de lesõo e a especialidade técnica do nadador.
Generalidades
Os movimentos são cíclicos, bilaterais, alternados ou simultâneos.
Os fatores que contribuem para que o gesto desportivo se realize de forma eficaz são:
  • a respiração,
  • o equilíbrio,
  • a propulsão
  • e a resistência ao deslocamento.
http://www.podcorrer.com/wp-content/uploads/2009/09/natacao.jpg
Na respiração interessa considerar a fase ventilatória, onde o ritmo é imposto pelas características da técnica, fundamentalmente pela ação dos membros superiores.
Modificam-se os mecanismos inatos, observados no meio aéreo, pelo que a fase expiratória passa a ser ativa e prolongada.
Deste modo os ciclos ventilatóirios são constituídos por uma fase inspiratória breve e uma fase expiratória mais prolongada e realizada contra a resistência da água.
O equilíbrio é proximo do horizontal, sendo assegurado essencialmente pelos membros inferiores. As informações plantares são suprimidas, sendo a força da gravidade quase anulada pela força de impulsão.
A propulsão é assegurada pela ação conjunta dos diferentes segmentos corporais, onde a ação dos membros superiores e inferiores assumem papel importante.
A importância de cada um destes segmentos corporais depende das características da técnica e do estilo.
No âmbito da resistência ao deslocamento, distinguem-se três tipos:
  • a resistência de fricção ou de contato,
  • a resistência de forma ou de pressão
  • e a resistência de onda.
Apenas que a resistência de contato ou atrito aumenta linearmente com a velocidade, a de forma ou de pressão aumenta com o quadrado da velocidade e a de onda com o cubo da velocidade. Deste modo, velocidades mais elevadas, implicam maiores aplicações de força e, consequentemente, maior sobrecarga musculo-esquelética.
http://www.chronosteam.com.br/chronosppr/my/news/news_1208_.jpg
Tipos de lesões
Como já anteriormente foi referido as lesões mais frequentes em natação são as resultantes da sobrecarga morfo-funcional e as relacionadas com a permanência no meio aquático.
Nesta sistematização, forçosamente restritiva, abordaremos as situações traumáticas mais comuns.
Não referiremos outras disfunções resultantes da sobrecarga de treino e que se prendem com alterações metabólicas, endócrinas e imunológicas.

Quadro I: Patologias mais frequentes
  • Articulares
  • Cutâneas
  • Nariz e Boca
  • Oculares
QuadroII: Patologias mais frequentes
  • Ombro
  • dermites
  • Otites externas e médias
  • OlhoVermelho(conjuntivite)
  • Joelho
  • micoses
  • sinusopatias
  • Coluna vertebral
http://www.goswim.tv/system/uploads/Image/KLJ.12.w.jpg

Ombro
O complexo articular do ombro une o membro superior ao torax e constituído por trás articulações:
  • a escapulo ou gleno-umeral,
  • a acromio-clavicular
  • e a esterno-clavicular.
Possui ainda um plano de deslizamento escapulo-torácico que, do ponto de vista funcional, se comporta como uma verdadeira articulação.
Trata-se de uma unidade anatômica funcional complexa que alia a necessidade de uma grande mobilidade a uma escassa estabilidade.
De fato, o suporte ósseo é reduzido, sendo a relação úmero/escápula mantida fundamentalmente por tecidos moles, o que explica a prevalência de lesões a este nível.
A patologia do ombro, constitui o problema traumatológico mais frequente e incapacitante em natação de competição.
Alguns estudos apontam que mais de 50% dos nadadores, apresentaram ou apresentam queixas dolorosas da cintura escapular.
Destes, 10% faltaram a treinos e/ou competições.
http://www.bestswimming.com.br/blog/media/1/20080911-dara.jpg
O conceito de "ombro de nadador" (swimming shoulder) define um tipo específico de patologia dolorosa, prevalente em nadadores de competição.
Este termo engloba lesões articulares e peri-articulares.
Fatores etiológicos
O conjunto de sinais e sintomas que caracterizam o designado "sindrome do ombro doloroso do nadador" relacionam-se, como já foi referido, com as caracteristicas anatomo-funcionais deste complexo articular e com o tipo de solicitação que lhe é imposto nas diferentes técnicas de nado.
http://2.bp.blogspot.com/_H9QThFjkT_A/SpAmWCELViI/AAAAAAAAAEg/sbmn127_0eI/s200/ombro2.JPG
Trata-se de uma entidade clínica incluída no âmbito dos "cumulative trauma disorders (CTD)" ou "overuse syndrome".
Esta terminologia anglo-saxônica, comummente aceite no meio médico, caracteriza as disfunções resultantes da ação microtraumática repetida.

Fatores que contribuem para a instalação do CTD
FORÇA + REPETIÇÃO + POSTURA + AUSÊNCIA DE REPOUSO

No treino de natação todos estes "ingredientes" estão presentes:
  • Um nadador que percorra 5000 metros/dia, realizará cerca de 2000 ciclos de braços por sessão de treino.
  • Esta solicitação diária média corresponde a 12.000 ciclos/semana.
A hipersolicitação desta forma imposta, é realizada em sobrecarga (força), de forma cíclica por imperativos da técnica de nado(repetição), em rotação interna (postura) e no raras vezes desrespeitando os intervalos optimos de recuperação (ausência de repouso)
No quadro II apresentam-se as principais causas deste tipo de lesões.
Portanto, factores que urge considerar num programa de prevenção.
QUADRO II: " Sindrome do ombro doloroso do nadador "
http://pan2007.globo.com/ESP/Home/foto/0,,11175803-EX,00.jpg
Erros repetidos da técnica de braçada que, ao favorecem uma exagerada rotação interna do ombro no início da fase propulsiva e inclusivamente durante a recuperação, criam condições favoráveis a ação micro-traumáticaPrograma inadequados de exercícios de força e reforço muscular, acarretando desequilíbrios entre os vários grupos musculares.
Hipersolicitação das estruturas anatomicas, resultante de cargas de treino elevadas e deficiências de ordem técnica.
Utilização indiscriminada de material acessório de apoio ao treino destinado a aumentar a superfcie propulsiva da mão ("swimming paddles")
O termo tendinite é aplicado indiscriminadamente a uma multiplicidade de problemas que afetam a cintura escapular dos nadadores.
Objetivando uma melhor caracterização deste conceito, referiremos que se trata de um processo resultante de uma irritação repetida das estruturas tendinosas, provocada pelo ato de nadar.
As estruturas tendinosas mais vulgarmente afectadas são os tendões dos músculos supra-espinhoso, infra-espinhoso, longa porção do bícepsa e infra-escapular.
Os sindromes de"impingement" associam-se frequentemente a tendinite, principalmente a do supra-espinhoso e longa porção do bíceps, sendo muitas vezes consideradas comouma mesma entidade.
Neste caso assume particular importância a estrutura osteo-ligamentar formada pelas duas proeminências ósseas da omoplata, acromio e apífice coracóideia, reunidas formada pelas duas proeminências ósseas da omoplata, acromio e apífice coracóideia, reunidas pelo ligamento coraco-acromial.
A designação"impingement" refere-se a fenômenos de compressão, situação comum em determinadas fases do ciclo de braços durante o nado.
A patologia do espaço sub-acromial é, nesta modalidade desportiva, de grande importância. Sob um prisma fisiopatológico podemos referir que o espaço de deslizamento sub-acromial, pela precisão do seu mecanismo de funcionamento, afigura-se-nos a estrutura mais frágil do complexo articular do ombro. A articulação dos rotadores e a longa porção do bíceps desempenham relevante papel estabilizador.
O musculo supra-espinhoso tem uma ação chave neste sistema de contenso, evitando, em associação com o musculo deltóide, o deslocamento da cabeça do umero em direção ao acromio.
Estas caraterísticas anatômicas determinam a hipersolicitação da coifa dos rotadores durante o nado, fornecendo explicações para a frequência e precocidade deste tipo de lesões em nadadores submetidos a sobrecarga funcional, donde resulta a ação microtraumática repetida.
Estudos que objetivaram a vascularização da coifa dos rotadores, descreveram a existência de uma "zona crítica", localizada aproximadamente 1 centímetro para dentro da inserção do supra-espinhoso.
Trata-se de uma zona hipovascular, portanto mais suscetível a fenômenos degenerativos.
Esta hipovascularização é variável com a posição do braço é verificável também no tendão da longa porção do bíceps no seu percurso sobre a cabeça do umero.
http://www.blogdacomunicacao.com.br/wp-content/uploads/2009/03/thiago-pereira-pequim1.jpg
As zonas avasculares destes dois tendões são particularmente vulneráveis ao "conflito" mecânico, fatores estes que se encontram fortemente correlacionados com a gênese da patologia sub-acromial.
A resposta inicial é do tipo inflamatório, traduzindo-se por uma tendinite.
Este processo pode estender-se a bolsa serosa sub-acromial.
A manutenção desta situação pode levar a micro-rupturas do tendão dos rotadores e, mais tardiamente, a rupturas completas, situação passível de ocorrer quando não se interrompe a cadeia de factores pré-disponentes, consubstanciados nos erros da técnica de nado e dos processo de treino implementados.

Abordagem clínica
O principal objetivo da avaliação deste tipo de situações é a sua deteção precoce.
O exame subjetivo assume particular importancia e permite-nos o acesso a seguinte categorização:
FASE 1: Dor apenas após o treino
FASE 2: Dor durante e após o treino
FASE 3: Dor durante o treino e que afeta a prestação
FASE 4: Dor persistente, que afecta as atividades diárias e que leva a interrupção do treino.

Estas quatro fases correspondem, grosso modo, a estadios evolutivos do processo patológico, para os quais também é usual considerarem-se 4 níveis:

http://www.fm.usp.br/fofito/fisio/pessoal/isabel/biomecanicaonline/articulacoes/ombro/image410.gif
Descrição

1 A articulação dos rotadores está intacta.
Existe inflamação e edema na zona vulnerável do supra-espinhoso.
A dor não é constante, surge após o treino e autolimita-se ao fim de algumas horas.
A dor é referida na região inferior e lateral do deltóide.
Os testes de flexão para diante, abdução rotação interna contra resistência são positivos

2 A situação inflamatória é mais extensa.
Existem alterações isquêmicas e dissociação das fibras colageneas, com rupturas parciais.
A amplitude articular pode estar mantida.
Regra geral, a prestação em competição não é afetada pela dor.
Esta, a de difícil localização e referida como profunda.
Quando localizada, sub-deltóideia e de predomínio noturno.

3 A mesma situação descrita para o nível 2, com sinais e sintomas de maior gravidade -dor no decurso do treino. -ausência de predomínio noturno-Afetação da prestação.

4 A destruição e degeneração do supra-espinhoso ao nível da coifa dos rotadores é completa. A dor é constante.
Existe impotância funcional muito marcada
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Programa de prevenção
Insistir na utilização de uma técnica de nado correta: recuperação alta na fase aérea da braçada em crol, respiração bilateral, evitar a entrada da mão na água em rotação interna excessiva.
Na técnica de borboleta, um segundo batimento de pernas forte, facilita o início da fase de recuperação do ciclo de braços, projetando os ombros para diante.
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O fato de deixar "cair" a cabeça, inclusivamente antes da entrada das mãos na água, pode evitar a dor, pois contraria a hiperflexão dos ombros, quando em rotação interna.
Nestas duas técnicas, crawl e Borboleta, principais causadoras de patologia do ombro, deverá ser desencorajada a utilização de "paddles" ou palmares.
Dosar o volume de treino de acordo com a idade e o desenvolvimento musculo-esquelético do nadador.
Respeitar igualmente os tempos de recuperação.
Realizar preparação física fora de água, onde o reforço muscular é fundamental.
Além do desenvolvimento muscular geral deverá ser dada especial importancia ao treino dos rotadores externos, com o objetivo de diminuir o natural desequilíbrio rotadores externos/internos provocado por um treino exclusivamente aquático.
Realização de exercícios de amplitude articular/flexibilidade.
Neste caso os métodos passivos e, inclusivamente os dinâmicos simples, apresentam desvantagens relativamente facilitação neuromuscular proprioceptiva (PNF).
Para treinadores e nadadores, estas questões são de inegável importncia.
É fundamental que tomem consciência de trás ordens de fatores, cujo conhecimento está na base da prevenção e diagnóstico precoce desta patologia:
  • Como prevenir a lesão de sobrecarga;
  • como diferenciar a natural mialgia de esforço de um "ombro doloroso";
  • qual a atitude a tomar após o aparecimento dos primeiros sintomas.
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Ao Aparecimento dos primeiros sintomas :
  • Reduzir a distância de nado.
  • Se o alívio é imediato (nas primeiras 24- 48 horas), somos levados a admitir a possibilidade de estarmos na presença de uma mialgia de esforço.
  • Evitar as técnicas de nado que mais exacerbam a dor
  • Modificar a técnica de nado de modo a manter a eficiência biomecânica do gesto e, simultaneamente, diminuir a ação microtraumática sobre as estruturas lesadas.
  • Incrementar o "treino de pernas" em detrimento do "treino de braços", nas fases agudas.
  • Manter a condiçãoo física através de outro tipo de atividade que não a natação convencional.
  • Aplicar gelo após as sessões de treino
  • Não deixar de consultar o médico
  • Na fase inicial de instalação da sintomatologia dolorosa, ao gelo e repouso devem associar-se AINE.
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Joelho
A natação de competição apresentou uma elevada incidência de lesões em joelhos de nadadores de peito.
Para a generalidade dos autores consultados, o mecanismo desencadeador relaciona-se com a fase final da "pernada".
As alterações anatomo-funcionais que caracterizam o "joelho de nadadores de peito."
Tem sido relacionadas com o envolvimento do ligamento lateral interno e articulação femuro-tibial.
Vários estudos confirmam estes eventos, constituindo hoje uma opinião unânime e irrefutável.
Passaremos portanto a descrever as alterações anatomo-funcionais mais relevantes ao nível daquelas estruturas.
Está provada a existência de uma elevação das forças de tensão no ligamento lateral interno durante a flexão, extensão, rotação tibial e valgismo de "stress".
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São situações que se verificam em diferentes fases da pernada de Peito.
A mensuração das forças de tensão que envolvem o ligamento lateral interno, subsequentes a rotação externa, valgismo de stress e extensão do joelho, evidencia um aumento dessa força de tensão a medida que o joelho evolui da flexão para a extensão.
O ligamento lateral interno pode ser sub-dividido em duas unidades funcionais com modos de atuação distintos, as fibras da porção anterior e as fibras da porção posterior.
A tensão da porção anterior aumenta durante a flexão, enquanto que este aumento só se verifica, na porção posterior, durante a extensão .
Logo, a rotação interna e flexão do joelho que ocorrem na fase inicial da "pernada" aumentam significativamente a tensão imposta as fibras da porção anterior do ligamento.
Deste modo, a fase inicial da pernada de peito, ao provocar tensão exagerada das fibras da porção anterior, constitui um importante factor patogênico da instalação da lesão a este nível.
Inversamente, quando a sintomatologia e o exame do joelho indicam compromissos da porção posterior, deveremos investigar a fase final da "pernada".
No entanto, esta divisão é importante apenas pelo seu didactismo e para efeitos de correção técnica.
Na prática extremamente difícil diferenciar estas duas situações, porque não raras vezes apresentam-se associadas.
Através da realização de exames artroscópicos em nadadores de peito com sintomatologia crônica na transição femuro-tibial, alguns autores diagnosticaram condromalácia e sinovite.
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Os movimentos repetidos de flexão/extensão, em associação com movimentos rotacionais, predispõem a lesão, podendo ser causa de inflamação, capsulite adjacente e sinovite.
Convém também salientar a ação dos grupos musculares potentes (isquiotibiais e quadricipete crural), pela sua importancia na ação propulsiva da pernada de peito e pelas condições particulares em que operam:
Rotação interna, valgismo de "stress" e flexão que evolui rapidamente para a extensão completa.
Relações anatômicas entre estes músculos e as estruturas capsulo-ligamentares envolvidas.
Para o surgimento da lesão podemos referir que existe uma correlação direta e significativa entre o agravamento dos sintomas e os seguintes aspectos:
  • idade, numero de anos de prática,
  • aumento do volume de treino na técnica de peito,
  • aquecimento deficiente,
  • insuficiente treino de flexibilidade e reforço muscular, principalmente na fase de treino de base.
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Os nadadores que referem, sistemáticamnte, dores ao nível do joelho, apresentam diminuição dos índices de força específica - propulsão a custa dos membros inferiores, situação que pode ser avaliada em testes isotônicos e isocinéticos/biocinéticos.
Estes últimos são mais fiéis e especificos.
Observa-se também diminuição da amplitude articular, mais evidente para a rotação interna.
A partir da década de oitenta assistiu-se a uma diminuição deste tipo de lesões.
Tal fato pode estar relacionado com modificações operadas ao nível da técnica.
O Peito "natural",. substituiu o peito "formal", alterando significativamente a biomecânica da "pernada", através de um aumento do movimento vertical do corpo, ao qual se associa uma redução da flexão do joelho.
Estas alterações na técnica de nado, repercutiram-se nos fatores mecânicos associados a lesão e alteraram significativamente a sua epidemiologia,não devendo ser ignoradas pelos médicos que observam nadadores de peito.
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Programa de prevenção
O "joelho de nadador" relaciona-se com a técnica de peito.
Para a prevenção deste caso específico propõe-se:
  • Diminuir o volume de treino na técnica de peito
  • Alterações da técnica de "pernada" de forma a diminuir a sobrecarga ligamentar.
  • Procurar caracterizar se o nadador com queixas utiliza os peito formal ou natural.
  • Realizar exercícios de reforço muscular e flexibilidade
  • Não ignorar a necessidade de um aquecimento prévio antes de realizar tarefas específicas de peito.
  • Progredir as cargas de treino de forma adequada, proporcionando uma adaptação progressiva das estruturas musculo-esqueléticas envolvidas.
  • Respeitar criteriosamente a periodicidade esforço/recuperação, através de uma alternancia na solicitação da articulação do joelho. As sessões de treino com elevada densidade de estimulação para a técnica de peito deverão ser intercaladas por outras de recuperação ou prifilácticas.
  • As primeiras queixas, aplicar gelo, interromper o treino e consultar o médico.
  • Na fase inicial de instalação da sintomatologia dolorosa, ao gelo e repouso devem associar-se AINE.
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Coluna Vertebral
As queixas mais frequentes são as dolorosas, não raras vezes referidas a região lombar e relacionadas com a técnica de borboleta.
Regra geral são autolimitadas e relacionam-se com as fases de maior intensidade e duração do treino. Nao obstante, é importante a realização de uma observação cuidadosa de forma a estabelecer um completo diagnóstico diferencial, é do lavantamento das causas possíveis para a sintomatologia dolorosa persistente.
As mais comuns são as traumáticas, as mecÂnicas, as relacionadas com o crescimento/desenvolvimento e as alterações musculo-esqueléticas.
Na avaliação destes nadadores devem ser levados em consideração os seguintes aspectos:
  • História passada ou recente de traumatismos da coluna
  • Relação com a atividade desportiva (características da tcnica e do estilo de nado;
  • eventuais relações entre as fases de agudas e o processo de treino)
  • Características da dor: fatores de agravamento; fatores de remissão ou alívio; irradiação; etc.

No exame físico devemos incluir:
Observação geral
Biometria, com especial atenção para os diferentes segmentos dos membros inferiores
Amplitude articular, fundamentalmente a flexão e extensão
Caracterização de eventuais deformações:
  • escolioses,
  • cifoses
  • e lordoses.
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Exame neurológico
A realização de exames complementares é poderada após a observância dos aspectos anteriores, ou seja, ditada pela sintomatologia e gravidade da situação apurada no decurso da história e exame físico.
Podemos referir que, no Âmbito preventivo, assumem especial importância os exames radiográficos, electromiográficos e posturográficos

Programa de prevenção
A inclusão deste ponto, no âmbito da prevenção de lesões em natação, pode afigurar-se paradoxal.
Na realidade, a natação a uma prática despotiva aconselhada para numerosas patologias da coluna.
No entanto, a natação de competição, particularmente nos jovens, quando não convenientemente orientada, pode constituir uma exceção a regra.
As razões prendem-se, sobretudo, com incorreções metodológicas do treino, potenciadas pelas diferentes fases de crescimento no jovem.
São alterações que, embora se possam verificar no nadador adulto, encontram na fase de treino de base o momento mais crítico.
Para a sua prevenção propõe-se:
Despiste precoce de eventuais contraindicações para a prática da natação de competição através de exame médico-desportivo.
Realização de treino fora de água, assumindo particular importancia a solicitação dos grupos musculares cervico-dorso-lombares e da parede abdominal.
Pesquisa de assimetrias do membro inferior e de alterações das curvaturas fisiológicas da coluna.
Utilização de técnicas de nado que não favorecam o aparecimento ou agravamento destas situações, nomeadamente:
  • Correta posição do corpo na água
Nos percursos realizados na técnica de crawl a adoção da respiração bilateral pode apresentar vantagens.
Redução da densidade da carga de treino, fundamentalmente na técnica de borboleta, quando as queixas são de lombalgia

Lesões cutâneas
A permanência no meio aquático predispõe a ocorrência de alterações dermatológicas.
As mais vulgares são as dermites (traumáticas e de contacto) e as infeções a fungos genericamente designadas micoses.
Dermites
As designações eczema e dermite são, em ambiente médico, muitas vezes utilizadas como sinônimos.
Por dermite entende-se uma situação genérica e inespecífica de inflamação cutânea.
Também aqui se aplicam os sinais cardinais da inflamação:
  • aumento do volume local por edema e infiltração celular(tumor);
  • vasodilatação com eritema (rubor),
  • acompanhado de aumento da temperatura local (calor);
  • e sensação dolorosa que se manifesta por prurido (dor).
A dermite de contato refere-se a uma hipersensibilidade cutânea do tipo retardado.
Para a identificação do alergeno é importante conhecer a ou as piscinas onde o nadador normalmente treina e investigar os produtos de desinfecção da água, bem como aqueles que utiliza na sua higiene.
Lembramos que os nadadores realizam duas sessões de treino por dia e, a vulgar variarem o tipo de shampoo e sabão que utilizam nos duches após o treino.
A dermite traumática é uma inflamação cutânea causada por agentes físicos ou químicos.
O mecanismo causal a uma agressão directa sobre a pele que no caso da natação é pouco acentuada e exerce-se por efeito cumulativo, provocando diminuição progressiva da sua resistência.
A diferenciação entre dermite traumática e de contato difícil, particularmente quando não se manifestam de forma aguda.
A relativa impossibilidade de diferenciação destes duas entidades, inclusive numa base clínica, não apresenta grandes incovientementes uma vez que a terapeutica não difere significativamente.
A dermite traumática cura expontaneamente quando se elimina o estímulo desencadeante.
A identificação do alergeno também é imprescindível para a resolução da dermite de contacto.
O tratamento local e geral é idêntico para ambos os casos: corticoterapia geral + terapeutica típica com solutos anti-inflamatórios na fase aguda e cremes/pomadas com corticóides nas fases sub-agudas e crônicas.

Micoses
São afecções cutâneas que se caracterizam pela natureza fungica dos respectivos agentes causais. É fundamental a realização de um diagnóstico correcto e específico.
O simples reconhecimento de uma micose não é suficiente para a instituição de uma terapeutica correta.
A utilização indiscriminada de qualquer anti-fungico para uma qualquer micose compromete a eficácia da terapeutica.
De localização predominante nos pés.
As lesões são geralmente crônicas, com uma evolução cíclica.
Caracterizam-se por prurido intenso de predomínio nocturno, principalmente na fase de vesicula. Evoluem para descamações, macerações e fissuraso inter-digitais, constituindo estes, não raras vezes, os únicos sintomas.
Por vezes, o quadro clínico complica-se pela participação de agentes pirogênicos, podendo levar ao aparecimento de linfangite.
É habitual a existência de onicomicoses em uma ou mais unhas (reservatório).

Prevenção
A prevenção destas situações baseia-se numa educação sanitária e inicia-se após o treino com as seguintes medidas:
Ducha com agua corrente
Utilização de shampoos e sabonetes hipoalergênicos com pH neutro.
Boa secagem da pele com especial atençãoo para os espaços interdigitais dos pés, podendo utilizar-se pós-antifungicos antes de calçar as meias.
Aplicação de cremes hidratantes em toda a superfície corporal.

Alterações Otorrinolaringológicas
Os longos períodos de permanência na água associados a qualidade duvidosa da água de algumas piscinas, predispõem os nadadores a algumas alterações do foro otorrinolaringológico.
Abordaremos de forma sucinta as patologias mais frequentes:
Otite externa
Os fatores pre-disponentes são os seguintes:
remoção do cerumen "normal" pela permanência prolongada na água presença de exostoses superiores.
Não podemos no entanto dissociar este aspecto do tratamento da patologia subjacente.ção

Alterações oculares
Resultam da ação dos produtos de desinfecção da água, particularmente o cloro, sobre a conjuntiva ocular.
Sao situações que apresentam a sintomatologia de olhos vermelhos (injeção ou hiperemia do tecido conjuntival) .
Acompanham-se de significativo desconforto, cedendo facilmente após a aplicação de colrios descongestionantes.
Constitui uma situação rara em natação de competição pois que a utilização de óculos de proteção (swimming goggles) uma constante, não só em treino como em competição .
Para nadadores que passam 3 a 4 horas por dia dentro de água, a sua utilização é o mais eficaz e único meio preventivo.
Clinicamente, na presença de uma inflamação ocular não podemos deixar de realizar o diagnóstico diferencial entre as suas possíveis causas.

Fonte:
Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos:
www.cbda.org.br
O Mundo da Natação- J. H. Gomes Pereira
A Ciência do Ensino da Natação - Mervyn L. Palmer